Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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Pólo Pina pode estar com os dias contados

Violência e abandono abalaram glamour do local

O Pólo Pina, que já contou com 18 restaurantes na década passada, pode estar com os dias contados. Um dos dois estabelecimentos ainda existentes, o Marinhos, fechará as portas no fim deste mês. A princípio está prevista apenas uma reforma, mas os proprietários não descartam a possibilidade de encerrar as atividades em definitivo. Entre 1995 e 1999, o pólo era um dos pontos mais badalados da cidade, perdendo o glamour, segundo os freqüentadores e empresários, devido à violência e ao aparecimento de outros pólos.

  "Este seria nosso lugar preferido, mas a permanência do negócio aqui dependerá da pesquisa de mercado que estamos fazendo", disse o proprietário do Marinhos e presidente da Associação dos Empresários do pólo, Josias Marinho Júnior, 32 anos. E o cenário para a permanência não é nada animador. Os antigos restaurantes deram lugar a casas de jogos eletrônicos e a salão de beleza ou os imóveis, simplesmente, continuam fechados. O restaurante Maxime, com quase sete décadas, fechou há cerca de dois meses.

  A sobrevivência parece uma teimosia. "No auge, a gente fazia 10 corridas por noite", recorda o taxista José Valdeci de Lima Pereira, 51 anos e há 15 trabalhando no local. Hoje, ele e colegas de profissão sobrevivem graças, principalmente, aos turistas que se hospedam no hotel localizado na avenida - a Herculano Bandeira. "Acho que o pólo já cumpriu seu papel e vai dar lugar a prédios altos. Até o Marinhos pode se tornar um deles", disse, apontando para o arranha-céu que desponta na esquina. O proprietário do restaurante disse já ter sido procurado por construtoras, mas que não há negócio fechado.

  Em meio à crise, o restaurante Prá Vocês é o único que apresenta sinais de resistência. Não por acaso. Criado há cerca de 60 anos, o estabelecimento sobrevive graças à sua antiga clientela. "Mesmo assim, enfrentamos problemas", disse o gerente Saulo Reis, 33. Um dos maiores, enumera ele, é o da segurança. "Aparecem por aqui, nos dias mais movimentados, muitos pedintes e cheira-cola", reclamou. A solução encontradapelos empresários foi contratar vigilantes particulares.

  Na lista dos problemas, acrescenta Marinho Júnior, está a falta de estacionamento e saída para os visitantes. "Depois que se fechou a rua Capitão Ribelinho tudo ficou mais difícil", disse. A recuperação do lugar, a seu ver, seria um projeto que envolvesse o poder público e a iniciativa privada. Na Prefeitura do Recife não existe projeto voltado à recuperação do pólo.

Comentários dos Leitores

"Pernambuco, como sempre, andando para trás, enquanto as demais capitais do nordeste sempre evoluindo. Até o RN tem se desenvolvido mais que Pernambuco. De que adiantou Marco Maciel por oito anos no Planalto???.", Caio, por e-mail.

"O problema de Recife, é que não é levado nada sério pelo Governo. Irei dar um exemplo. Estive numa feira Internacional em Bento Gonçalves - RS, estacionamento lotado no Centro de Convenções e lá fora tinha assistência do BPTran muito grande e com excelente educação, era proibido flanelinha. Então no Recife, deixei de ir ao Centro de Convenções e no Recife Antigo por conta destes flanelinhas que cobram o olho da cara antecipado. Hoje, pode ter certeza, será mais vantagem ir ao Centro de Convenção de Bento, ao do Recife, e no pólo Pina também não foi diferente.", Sávio Morais, por e-mail.








 

 
 
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