Violência e abandono abalaram glamour do local
O Pólo Pina, que já contou com 18 restaurantes na década
passada, pode estar com os dias contados. Um dos dois estabelecimentos
ainda existentes, o Marinhos, fechará as portas no fim deste mês. A
princípio está prevista apenas uma reforma, mas os proprietários não
descartam a possibilidade de encerrar as atividades em definitivo. Entre
1995 e 1999, o pólo era um dos pontos mais badalados da cidade, perdendo
o glamour, segundo os freqüentadores e empresários, devido à violência
e ao aparecimento de outros pólos.
"Este seria nosso lugar preferido, mas a permanência do negócio aqui
dependerá da pesquisa de mercado que estamos fazendo", disse o proprietário
do Marinhos e presidente da Associação dos Empresários do pólo, Josias
Marinho Júnior, 32 anos. E o cenário para a permanência não é nada animador.
Os antigos restaurantes deram lugar a casas de jogos eletrônicos e a
salão de beleza ou os imóveis, simplesmente, continuam fechados. O restaurante
Maxime, com quase sete décadas, fechou há cerca de dois meses.
A sobrevivência parece uma teimosia. "No auge, a gente fazia 10 corridas
por noite", recorda o taxista José Valdeci de Lima Pereira, 51 anos
e há 15 trabalhando no local. Hoje, ele e colegas de profissão sobrevivem
graças, principalmente, aos turistas que se hospedam no hotel localizado
na avenida - a Herculano Bandeira. "Acho que o pólo já cumpriu seu papel
e vai dar lugar a prédios altos. Até o Marinhos pode se tornar um deles",
disse, apontando para o arranha-céu que desponta na esquina. O proprietário
do restaurante disse já ter sido procurado por construtoras, mas que
não há negócio fechado.
Em meio à crise, o restaurante Prá Vocês é o único que apresenta sinais
de resistência. Não por acaso. Criado há cerca de 60 anos, o estabelecimento
sobrevive graças à sua antiga clientela. "Mesmo assim, enfrentamos problemas",
disse o gerente Saulo Reis, 33. Um dos maiores, enumera ele, é o da
segurança. "Aparecem por aqui, nos dias mais movimentados, muitos pedintes
e cheira-cola", reclamou. A solução encontradapelos empresários foi
contratar vigilantes particulares.
Na lista dos problemas, acrescenta Marinho Júnior, está a falta de
estacionamento e saída para os visitantes. "Depois que se fechou a rua
Capitão Ribelinho tudo ficou mais difícil", disse. A recuperação do
lugar, a seu ver, seria um projeto que envolvesse o poder público e
a iniciativa privada. Na Prefeitura do Recife não existe projeto voltado
à recuperação do pólo.
Comentários dos Leitores
"Pernambuco, como sempre, andando para trás, enquanto
as demais capitais do nordeste sempre evoluindo. Até o RN tem se desenvolvido
mais que Pernambuco. De que adiantou Marco Maciel por oito anos no Planalto???.",
Caio, por e-mail.
"O problema de Recife, é que não é levado nada sério
pelo Governo. Irei dar um exemplo. Estive numa feira Internacional em
Bento Gonçalves - RS, estacionamento lotado no Centro de Convenções
e lá fora tinha assistência do BPTran muito grande e com excelente
educação, era proibido flanelinha. Então no Recife, deixei de ir ao
Centro de Convenções e no Recife Antigo por conta destes flanelinhas
que cobram o olho da cara antecipado. Hoje, pode ter certeza, será
mais vantagem ir ao Centro de Convenção de Bento, ao do Recife, e no
pólo Pina também não foi diferente.", Sávio Morais, por
e-mail.