Templo é primeiro do Estado a ter seus bens identificados pelo Iphan
Jailson da Paz
Da equipe do DIARIO
A Igreja de Santa Teresa, erguida no Século XVIII, onde hoje fica a avenida Dantas Barreto, é o primeiro templo pernambucano do qual se possui informações de todos os seus bens. Sejam móveis, como imagens e cadeiras, ou integrados, a exemplo dos altares. O inventário foi concluído este mês pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que identificou 955 peças, quantidade 20% acima da expectativa dos técnicos. O trabalho ajudará no controle da preservação do acervo.
Os números surpreenderam. E na lista das peças identificadas, nos últimos quatro meses, consta desde broches doados por fiéis ao longo dos mais de 300 anos da Ordem Terceira do Carmo, responsável pela construção e administração do santuário, a cadeiras seculares e imagens. Grande parte do material catalogado de forma inédita integra o acervo do pequeno museu, inaugurado em 1973 pelos Terceiros, e hoje fechado ao público.
O trabalho rigoroso de 12 técnicos permitiu não somente quantificar as peças, mas determinar com maior precisão aspectos importantes de algumas delas, a exemplo da Nossa Senhora da Soledade. A imagem, exposta na sacristia, veio de Portugal. "As evidências são de que é, provavelmente, de 1706", revelou o consultor em História da Arte, Fernando Ponce de León. Ele chegou à data ao pesquisar os documentos da Ordem, do período entre 1699 a 1887.
As raridades não param por aí. Uma das mais importantes é o conjunto de imagens, também trazido de Portugal, que retrata alguns passos da Paixão de Cristo, como o Jesus atado. "Talvez seja o único conjunto desse porte em todo o Brasil", avalia Ponce de León. A série tem sete peças o que, segundo o historiador, dificilmente se vê em outros templos.
E o que falar das pinturas do mestre João de Deus e Sepúlveda, do qual a única informação sabida é de era um militar? "O acervo é um dos mais valiosos produzidos pelo artista", ressalta a coordenadora de campo do Iphan, Lucineide Leôncio. Ao todo são 92 painéis relacionados à história dos carmelitas, indo da aparição da Virgem Maria a Santo Elias a cenas sobre a vida de Santa Teresa de Jesus, conhecida como Santa Teresa d'Ávila. Sepúlveda também pintou, no Recife, o forro da igreja de São Pedro dos Clérigos.
DESGASTE - O inventário, entretanto, não é sinônimo de que tudo esteja bem preservado na capela . O forro da sacristia, pintado em 1721, estilo comum no Século XVI, pede socorro. Muitos dos detalhes em madeira estão caindo e a pintura dá sinais de desgaste. Exposta na capela, a imagem de Jesus amarrado em uma coluna, tem os dedos das mãos comidos pelo cupim.
"Não temos recursos para recuperá-los", lamentou a diretora administrativa da Ordem Terceira, Nadiege Barreto. A igreja, parcialmente restaurada na década passada, é aberta ao público nas manhãs dos domingos quando acontecem missas.