HOLANDESES
A ascenção da produção açucareira em Pernambuco fez surgir uma grande quantidade de engenhos que, em 1641, já podiam ser considerados como a base do sistema econômico holandês na chamada Terra do Açúcar. Nesse período, a figura do senhor-de-engenho ganha projeção e passa a ter uma participação definitiva na vida econômica e social, ganhando destaque entre a nobreza e fazendo com que holandeses e judeus fincassem raízes neste território. Um resumo dessa trajetória, em que a exploração da mão-de-obra escrava levou às lavouras de cana-de-açúcar cerca de 3 mil negros, é apresentado no 12º fascículo da coleção Os holandeses em Pernambuco: uma história de 24 anos, encartada na edição desta segunda-feira no DIARIO DE PERNAMBUCO.
Intitulada O açúcar amargo: sem negros não há Pernambuco, a publicação mostra que na sociedade de então era o senhor-de-engenho a figura de maior destaque, "verdadeiro senhor feudal transplantado da Europa e adaptado às condições dos trópicos, onde integrava a chamada nobreza da terra".Conta o jornalista e historiador Leonardo Dantas que a casta possuía privilégios concedidos pelos reis de Portugal e Espanha. O status encantava holandeses recém-chegados ao País, com a promessa de fortuna.
Um dos holandeses que criou raízes em Pernambuco graças ao açúcar foi o médico Servaas Capentier, que apesar de ser figura de destaque no Conselho Político e membro influente do governo do Recife, abandonou tudo para se dedicar à vida de senhor do engenho Três Paus, em Goiana. Foi no governo do Conde de Nassau que a produção do açúcar ascendeu de 65.972, em 1637, para 282.286 arrobas, em 1643, chegando até a 447.562 arrobas em 1641.