A crescente conscientização dos médicos pela busca de uma melhor qualidade de vida não ocorre à toa. Dores crônicas, causadas por doenças psicossomáticas, sentimento de depressão, estresse e esgotamento são fatores que acabam contribuindo para que alguns deles se tornem dependentes do álcool e de drogas. "O estresse, sem dúvida, é um fator de risco não só para os médicos, mas para qualquer profissional que tenha uma rotina tão desgastante quanto a dele", explica o psiquiatra Hamer Nastasy Palhares Alves, coordenador da Rede Estadual de Apoio a Médicos Dependentes. A rede foi criada graças a uma parceria entre a Universidade Estadual de São Paulo (Unifesp) e o Conselho Regional de Medicina daquele estado. Em um ano e meio de existência, o serviço (que tira dúvidas através do e-mail apoiomedico@psiquiatria.epm.br) já atendeu cerca de 120 pessoas.
Mas foi o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), que criou, em 2001, o Núcleo de Atenção à Saúde do Médico, hoje modelo nacional copiado pelo Conselho Federal de Medicina. O núcleo tem como base dois projetos: Qualidade de Vida, que estimula a prática de esportes; e o Saúde Mental, realizado em convênio com o Núcleo de Dependência Química da UFPE. Dez psiquiatras fazem parte da rede formada para dar assistência aos médicos, que necessitam de ajuda. "Dependência química não é distúrbio de caráter, é uma doença grave que precisa ser tratada. O médico, como qualquer pessoa, também pode estar sujeito ao problema", explica a coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde do Médico, psiquiatra Maria do Carmo Vieira da Cunha. Para ser atendido pelo serviço basta ligar para o 0800 995744. "Ninguém precisa se identificar", garante a especialista.