(Atualizado no dia 21/09/2003)
 
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Futuros médicos do Estado têm rotina abalada pelo estresse

Estudo mostra que 28,58% dos estudantes pesquisados admitem tendência à depressão

Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO

Muito antes de enfrentar (de direito) as agruras da profissão, os estudantes de Medicina são afetados pela inevitável e danosa companhia do estresse. Já nos primeiros anos de curso é possível identificar as conseqüências que a ansiedade, o medo do futuro, a angústia e o desgate das horas de estudo e plantões causam à saúde dos jovens. Uma pesquisa com 178 alunos do curso de Medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) realizada pelo Centro de Pesquisa em Qualidade de Vida - ONG que faz estudos sobre o estresse há seis anos - mostra, entre outras coisas, que 28,58% deles se declararam com tendência à depressão e 13,48% sofrem ou sofreram de doenças do trato gastrointestinal (como gastrite) e do aparelho respiratório (faringite), enfermidades relacionados também a questões psicossomáticas.

  O organismo da maioria começa a padecer cedo. "Minhas dores no estômago tiveram início antes mesmo do vestibular. Depois, descobri que estava com uma gastrite aguda, desencadeada pelo estresse. Fiz tratamento, mas o médicome aconselhou a mudar de hábitos e relaxar mais", lembra o estudante, G.C.B.J.,22 anos, do 4º ano de medicina da UPE. Com aula pela manhã e à tarde e plantões à noite, ele só consegue se alimentar bem quando está em casa. G. admite que recorre ao guaraná em pó com amendoim e castanha para ficar mais tempo acordado nos períodos de prova, quando precisa intensificar os estudos.

  A pesquisa identificou ainda que 103 estudantes, 57,86% dos pesquisados, se consideram estressados e 31 (17,41%) associam o estresse a esgotamento emocional. "O percentual de alunos que relatam tendência à depressão é expressivo. Essa constatação é especialmente preocupante quando levamos em consideração a faixa etária dos pesquisados (entre 18 e 25 anos)", observa o presidente do centro e coordenador do Serviço de Medicina Psicossomática da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, professor Dival Cantarelli.

DESGASTE - Autor do estudo, realizado em parceria com outros cinco alunos da graduação de Medicina da UPE, o professor admite que ficou surpreso com o nível de desgaste referido pelos alunos no dia-a-dia. O percentual de 23% do contingente pesquisado admitiu sofrer alterações no apetite (ruim, aumentado ou diminuído) e 32,01% na qualidade do sono (ruim, péssimo e insônia). Quase 22% acham que têm pouco tempo para dormir. Enquanto isso, 32,58% buscam melhorar a alimentação para diminuir os efeitos do fadiga, 28,08% procuram a diversão para relaxar e apenas 12,92% fazem algum tipo de execício físico. "Procuro fazer amigos fora da área médica e sempre reservo finais de semana para sair um pouco", adianta I.M.G.,23 anos, também estudante do 4º ano de Medicina da UPE, que sente dificuldade para dormir por causa da tensão nas épocas de prova.

  O estudo do Centro de Pesquisa em Qualidade de Vida levou em consideração outras questões, como a opinião dos estudantes com relação à insegurança social, afetividade, sexualidade e relacionamento com a família. Ele será apresentado na íntegra, junto com outros assuntos relacionados ao tema, no dia 27 de setembro, no 5º Encontro pela Redução do Estresse, que acontecerá no Memorial da Medicina, no Derby, das 8h às 12h.

Comentários dos Leitores

"Se este estudo for feito também com os alunos de engenharia da UFPE, os resultados não seriam muito diferentes.", Juliana, por e-mail


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