Preparadora de elenco de Mulheres Apaixonadas, Paloma Riani diz que o seu trabalho ainda enfrenta preconceito
Comum entre os astros de Hollywood, o trabalho de coach (treinador ao pé da letra) começa a ganhar força aqui também. E nas novelas. Mas, diferentemente da terra do cinema, por enquanto a tarefa, que pode ser resumida como "trabalho de aperfeiçoamento de ator", vem sendo praticada por uma turma cuja experiência não é o quesito principal.
Iniciantes (ou nem tanto) como Leonardo Miggiorin (Rodrigo), Rafael Calomeni (Expedito) e Júlia Almeida (Vidinha), de Mulheres Apaixonadas, marcam ponto não só no Projac como nas aulas de Paloma Riani, coach do horário nobre da Rede Globo. Já o elenco de Malhação vem trabalhando com Andréa Cavalcanti. Em Kubanacan, Rosana Garcia, a eterna Narizinho da primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo, cumpre a mesma tarefa com o elenco infantil.
Mesmo de licença-maternidade, Paloma, que é atriz, vem recebendo em seu apartamento no Leblon parte do núcleo jovem da obra de Manoel Carlos para realizar uma função que, para ela, é mais do que um "aperfeiçoamento de ator", e que até então vinha sendo dedicada aos atores mirins. "Fico machucada com a forma como a profissão é definida. Não focamos apenas o desempenho do ator para aquele personagem. Sobretudo, nós o situamos numa carreira que é fácil de entrar e na qual é difícil se manter. Nos Estados Unidos, a profissão é muito valorizada", diz Paloma, que, há cinco anos na emissora, foi coach da criançada de O Clone, entre outras tramas.
Entre os seus alunos atuais (alguns são indicados pelo diretor, outros vão por conta), Paloma destaca Rafael Calomeni, apesar das críticas que o ator recebe da mídia. "Ele realmente chegou zerado. Mas o Rafael tem uma coisa importante para quem quer ser um bom profissional: sabe ouvir, quer aprender. Vi pessoas que trabalhavam comigo dizendo, em entrevistas, que estudavam em casa, sozinhas. Sentiam vergonha de contar que tinham coach", lamenta.
Calomeni reconhece que ainda existe preconceito. "Só critica quem não tem conhecimento. Os grandes atores também têm professores de voz e de corpo", defende."Mas ela não me dirige", enfatiza. Paloma também faz questão de frisar que a orientação de cada cena é responsabilidade exclusiva do diretor da trama. "Não é meu dever interferir", assume a técnica, que preparou Mel Lisboa para Presença de Anita. "Ela estava assustada. Tive que mexer nas suas gavetas pessoais. Às vezes somos quase um psicólogo. Mandei vários atores para a terapia", revela.