Protagonistas do novo programa da Globo revelam os temores masculinos diante da mulher independente
Fazer a sobrancelha com pinça. Esta é a frase que aterroriza os marmanjos que vão invadir sua casa com Sexo Frágil às sextas-feiras a partir de 17 de outubro. Pergunta: e homem faz sobrancelha? Resposta: Lúcio Mauro Filho, Lázaro Ramos, Bruno Garcia e Wagner Moura fazem. Ou melhor, estão tendo que fazer. Serão deles os papéis femininos (e masculinos também, obviamente) do novo seriado da Rede Globo. Medo de tirar os pelinhos? "Dói à beça" ou "É a pior coisa do mundo", dizem eles. Homem tem cada frescura... Depois dizem que são o sexo forte.
"Que nada! O homem é o sexo atrasado. A mulher evoluiu, cobra seus direitos. Desde o de ter orgasmo ao de ter filho sozinha. O homem ficou obsoleto", diz Lázaro. Wagner acha que o típico machão não está mais com nada e admite que, de uns tempos para cá ("Um tempão. Na verdade, desde a década de 30", diz ele), as mulheres vêm ganhando força. Com isso, os homens acabaram se desacostumando a elas. "Com a revolução sexual elas passaram a ser protagonistas, o que pôs os homens em xeque", comenta o ator de O Caminho das Nuvens, em cartaz no Recife. "No programa, elas serão mais inteligentes e vão se dar bem nas situações".
Entre um retoque no batom e uma ajeitada na peruca na sala de maquiagem do Projac, as brincadeiras não páram. Enquanto Lázaro corre de um lado para o outro balançando a falsa cabeleira à la Elza Soares, Zéu Britto, que fará uma participação especial constante no seriado, jura de pés juntos que não é machista. "Comigo as mulheres podem tudo, até pisar, e olha que sou do interior da Bahia, onde o machismo é arraigado! Entendo até TPM, mas quando a gente se mostra complacente demais elas fazem miséria", brinca o cantor, que participa da trilha sonora de Lisbela e o Prisioneiro.
Lázaro também garante que não é machista. Diz que já foi mais. Aí, de repente, no meio do papo, ele dá um pulo e confessa, bem-humorado: "Pô, lembrei de uma situação engraçada. Minha irmã de 15 anos arrumou um namorado. Fiquei indignado. Minha irmãzinha namorando? Depois passou, conversei com ela, falei para usar camisinha. Mas 'taí' meu lado machista.
Bruno Garcia, mais compenetrado, fica em cima do muro. Acha que os sexos, de modo geral, estão fracos. "As inter-relações sexuais estão sofrendo transformações, buscando novos modelos. Há uma reconstrução dos papéis. A saída é a desconstrução da idéia de que existe uma forma especificamente masculina ou feminina de ser. O homem procura uma maneira de lidar com esta mulher livre e a mulher quer dar dicas de como ele deve fazer isso", teoriza o pernambucano.
Já Lucinho Mauro, casado há cinco anos e prestes a ser pai pela primeira vez, acha que o homem está repensando seu papel na sociedade. "A mulher saiu de casa para trabalhar. Foi maravilhoso. Mas aí volta e tem que cuidar da casa, dos filhos... Será que foi vantajoso para ela?", pergunta ele. "A mulher acumula funções e consegue se sair bem em todas. O homem fica sambando nesta história", arremata.