Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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Por trás do Mais Você

Numa só manhã, Ana Maria Braga sobe em ônibus, fala com Nova Iorque e cozinha antes de brincar com a "família"

O Mais Você tinha que estar no ar e não havia como se comunicar com Nova York para abrir o programa. O jeito era recorrer ao plano B; instantes depois, Ana Maria Braga enfrentava, numa rua em São Paulo, os sete graus da manhã de 11 de setembro para fazer sinal a um ônibus e dar um livro a um dos passageiros. Era o "atentado poético" proposto pela Internet para lembrar o outro atentado, que em 2001 matara mais de três mil pessoas nos Estados Unidos.

  Imaginem o susto dos sonolentos passageiros do 5121 quando, às 8h07, o carro parou no ponto e a apresentadora entrou. Atrás dela, técnicos com luz, fios e microfone se viravam no espaço mínimo entre a escada, o motor e a catraca. Ana estava diante do cobrador, o programa já era exibido, Mas... ninguém se havia se lembrado de dar dinheiro para a passagem. E o cobrador trancou a roleta.

  Mesmo rindo, ele não se fez de rogado. Nem Ana: "Mas você não vai mesmo me deixar entrar?". Lá fora a equipe já tinha percebido o problema e providenciava a grana. Antes, porém, seu Teixeira levantou-se do último banco com um vale-transporte na mão. Nem precisou gastar e ainda seguiu viagem até o trabalho com um exemplar de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez.

  Quando acabou, Ana pediu os comerciais. E foi, de novo, um corre-corre para o estúdio, onde o diretor Cacá Silveira a avisou, pelo ponto, que o link com Nova York funcionava. Enquanto as repórteres Heloisa Vilella e Simone Duarte conversavam com a apresentadora, cerca de 20 pessoas da equipe se espalharam pelo chão do estúdio do Mais Você. Ana, por sua vez, estava em casa: sentou-se no braço do sofá e pôs os pés na almofada.

  Em seguida, recomeçou o movimento no programa que foi eleito pela Comissão Européia de Turismo (CET) como o detentor da reportagem mais criativa e original (as matérias exibidas sobre a Itália em junho). Agora, Ana, a cozinheira, preparava um pão com lingüiça. O cheiro encheu o estúdio e a cadela Belinha se entusiasmou, começando a latir. Mas só ganhou um pedaço quando Ana a pegou no colo e, abraçada também ao Louro José, definiu: "Que família bonita que eu tenho!".








 

 
 
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