Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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Indo além das fronteiras sociais

Dança

Em Billy Elliot, o diretor inglês Stephen Daldry, o mesmo de As Horas, mostra a saga de um garoto inglês, filho de um mineiro, que se transforma em bailarino depois de muitos tropeços. Coincidência ou não, esse enredo serve de base para alguns programas de TV brasileiros, em que o balé clássico dançado por meninos é uma bandeira contra preconceitos. O cenário pode ser uma escola freqüentada pela classe média carioca como uma favela da capital paulista.

  Depois de Bruno, personagem de Kaian Raia em Malhação - Múltipla Escolha, da Globo, ter encarado de frente os colegas de colégio que botaram em dúvida sua masculinidade por causa de sua vocação para a dança, agora é a vez de Xarope, vivido por Sidney Santiago em Turma do Gueto, ensaiar seus primeiros passos no seriado e exibido na Record.

  "O fato de os personagens serem de universos diferentes não muda nada: pobres ou ricos, ambos enfrentarão preconceito, talvez em formas e níveis diferentes", afirma o autor de Malhação, Ricardo Hofstetter. No caso do Turma do Gueto, muito mais do que tratar do preconceito, a idéia foi dar a Xarope um destino melhor que o de seu irmão, o traficante Jamanta (Nill Marcondes).

  Nesse caso, além do cinema, a vida real inspirou a roteirista Vivian de Oliveira. "Li uma notícia de um garoto que era traficante e resolveu fazer teste num circo, passou e agora vai se apresentar na Europa", onta ela. "Pesquisei muito na internet sobre a periferia e descobri muitas histórias de pessoas que aprenderam a tocar instrumentos, a dançar e cantar e que suas vidas mudaram", aponta.

  Sidney Santiago, o intérprete de Xarope, também tem origem humilde. Animou até velórios para se sustentar. Mas estudou muito. Inclusive balé. "Fiz seis anos de balé, comecei antes de virar ator", orgulha-se Sidney, de 18 anos. No seriado, foi ao assistir uma apresentação de dança que Xarope começou a se interessar pelo ofício, foi criticado pelos amigos, mas não desistiu da idéia de ter aulas.

  Segundo Sidney, a abordagem do tema ajuda a incentivar os jovens de todas as classes. "Nosso país é carente de cultura e toda forma de salvar pela reeducação tem a arte por trás", sustenta. "Além disso, a dança é uma referência muito forte. Nos projetos sociais de qualquer favela, toda sala de dança fica sempre lotada. Nosso povo é dançante", complementa.








 

 
 
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