Traços de um novo mapa
Vandeck Santiago (Interino)
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As eleições municipais de 2004 em Pernambuco terão uma série de disputas peculiares que só ficarão mais claras um pouco adiante, mas alguns dos seus sinais já estão visíveis. Uma dessas disputas será em Jaboatão dos Guararapes. Trata-se nada mais nada menos do que o segundo maior colégio eleitoral do Estado e o segundo município em arrecadação (nos dois casos, perde apenas para Recife). Desde 1992 a esquerda tenta conquistar a Prefeitura, "exportando" para lá alguns dos seus principais líderes: em 1992 foi João Paulo (sim, o próprio) quem disputou. Em 96, Renildo Calheiros (PCdoB). Em 2000, Paulo Rubem Santiago, que foi o terceiro mais votado e tentará de novo em 2004. Abordando o assunto apenas no campo da possibilidade, Jaboatão pode ser a primeira grande cidade em Pernambuco a ter o PT e o PMDB juntos já no primeiro turno - o que, se acontecer, é motivo mais que suficiente para torná-la a eleição mais peculiar do Estado, e com um impacto poderoso no cenário político estadual. Outros pontos particulares dopleito de 2004 é que os candidatos que têm suas principais bases no interior vão travar, em seus municípios de origem, disputas de grande efeito simbólico e político. A característica atinge Inocêncio Oliveira (Serra Talhada) e José Mendonça Filho (Belo Jardim). Óbvio que uma eventual derrota dos seus candidatos nesses municípios não lhes tira a chance de tornar-se governador - mas será uma condição incômoda a ser explorada pelos adversários. Outra eleição carregada de simbolismo será a de Petrolina, onde a família Coelho pode ser derrotada (nas eleições de 2002 a oposição saiu vitoriosa lá). Na Zona da Mata, precisamente nos municípios de Água Preta, Palmares e Joaquim Nabuco, teremos o confronto entre o grupo de Eduardo Coutinho (que terá como candidatos o filho e a mãe dele) e o dos irmãos Eudo Magalhães e Enoelino Magalhães (dois ex-deputados com forte atuação na região). São dados aqui apenas alguns exemplos. Outros existem, igualmente fortes. Todos apontando para o cenário de que, além do Recife, em muitos outros municípios pernambucanos vai estar-se desenhando um novo mapa do poder no Estado.
O deputado federal Paulo Rubem Santiago do PT , quer montar um palanque "o mais amplo possível" para disputar a prefeitura de Jaboatão. Como deputado estadual ele foi o mais duro oposicionista dos governos Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos. Acha que isso não vai atrapalhar a costura da aliança. Diz que gostaria de ter o PMDB como aliado e que para tanto vai procurar o ex-prefeito e ex-deputado peemedebista Geraldo Melo ("O PMDB é da base do governo Lula e Geraldo foi meu colega na Assembléia"). Fará o mesmo com ex-deputado Ulysses Tenório (PDT ) e integrantes do PSB, PPS e PCdoB
"Governador"
O governador Jarbas Vasconcelos não é o único adversário que o ministro Humberto Costa (Saúde) vem tratando com cortesia. Esta semana ele encontrou Roberto Magalhães no Congresso e tomou a iniciativa de cumprimentá-lo. A conversa foi respeitosa de lado a lado. Humberto tratou Magalhães de "governador".
"Ah, se ele ganhasse..."
Dos 49 deputados da Assembléia, pelo menos 10 devem ser candidatos a prefeito em 2004. Contarão com uma torcida extra: a dos seus suplentes, loucos que eles se elejam prefeitos para assim deixarem vagos os mandatos de deputado. Entre os suplentes "com chances" estão Afonso Ferraz, Augustinho Rufino, Vicente André Gomes e Francismar Pontes.
Subindo ladeira
Há uns 20 anos sem disputar a Prefeitura de Olinda, o PFL decidiu que em 2004 será diferente. O partido tem uma chapa de 30 candidatos a vereador (entre os quais o compositor J. Michiles e o empresário Ricardo Costa) que será apresentada segunda-feira, às 19h30, no Colégio São Bento. O prefeiturável pefelista é Alexandre Mirinda (foto), presidente do partido no município.
E aí, vão encarar?
Conversa em meios bem informados da política pernambucana estimava esta semana que a campanha de um candidato novato a vereador, no Recife, deve custar a bagatela de uns R$ 300 mil.