As queixas sobre a "frágil" articulação política do prefeito João Paulo diante da sucessão de 2004 não partem apenas dos aliados. As reações estão surgindo dentro do próprio PT. Alguns falam abertamente, como o deputado federal Paulo Rubem Santiago (PT), da tendência Coletivo Florestan Fernandes. Outros, no entanto, preferem expor suas opiniões, mas sem revelar suas identidades.
Esta semana Paulo Rubem cobrou do diretório municipal do PT uma postura mais agressiva para evitar novas perdas. Partidos que antes integravam a base do governo municipal no segundo turno da campanha de 2000, a exemplo do PPS e PL, lançaram candidaturas próprias. O PDT anunciou seu alinhamento político com o PTB e o PSB ameaça romper ou lançar candidatura própria. Na avaliação do petista, o partido não pode assistir inerte às legendas da base aliada se afastarem do Governo e tomarem outro rumo no pleito de 2004. Ele diz que se nenhuma atitude for tomada a tempo, o PT corre o risco de ficar isolado.
Segundo alguns petistas em reserva, a situação do Governo João Paulo é complicada. Ao contrário da campanha anterior, quando o partido tinha como puxador de voto o atual ministro da Saúde, Humberto Costa, a legenda conta hoje com seis parlamentares, mas nenhum dispõe de votações estrondosas para conseguir eleger outros candidatos da legenda. Esse mesmo petista reclama, também, da falta de sintonia entre o núcleo do Governo João Paulo e os vereadores governistas. "As informações não chegam. Os petistas não se sentem governo. Não há processo de discussão da bancada com a Prefeitura. Não há sintonia", afirmou.
Visto como um político conciliador, o deputado federal Maurício Rands disse que o PT já começou um trabalho de aproximação com os partidos aliados. "Vamos eu e João Paulo, na próxima semana, fazer uma visita ao ex-governador Miguel Arraes e ao deputado Eduardo Campos. O PSB é nosso aliado histórico", disse. Os petistas vão precisar mesmo de bons argumentos, pois na segunda-feira o PSB faz reunião para discutir um possível rompimentocom o PT. Na última sexta, os socialistas reagiram fortemente a declarações do petista Paulo Santana. Ele insinou que o PSB poderia estar fazendo barganha para conseguir a vaga de vice de João Paulo.