Prefeito do Recife perdeu o apoio do PDT, PPS, PTB e PL. E pior, entrou em colisão com o PSB
Cláudia Eloi
DA EQUIPE DO DIARIO
O prefeito do Recife João Paulo passa por uma espécie de inferno astral antecipado. A três meses de festejar seu aniversário - ele completa 51 anos em 31 de dezembro -, o prefeito vem enfrentando uma série de críticas não apenas da oposição, mas também dos aliados. As queixas recaem, principalmente, na condução do processo eleitoral de 2004. O isolamento imposto agora ao petista poderá ter um impacto direto na sua reeleição.
Entre as perdas na aliança política com o PT estão o PPS, PDT, PTB e PL. Além do prejuízo eleitoral, ou seja a possível perda de votos, o PT perderá tempo de televisão. Só com a saída do PDT e do PPS da base governista, o Partido dos Trabalhadores terá seu tempo de televisão reduzido em quase três minutos. Legendas que ajudaram a elegê-lo prefeito em 2000 estão pouco a pouco anunciando o rompimento político e lançando candidaturas próprias. João Paulo está tendo ainda que assistir ao enfraquecimento das articulações para a formação de um palanque único das esquerdas em 2004.
As legendas de expressão que continuam na base de sustentação do Governo João Paulo são o PCdoB - representado pelo vice-prefeito Luciano Siqueira - e o PSB, partido que entrou em rota de colisão com o prefeito na última sexta-feira. Apesar dos fatos mostrarem que alguns procedimentos tomados pelo petista até então precisam ser revistos, João Paulo discorda da tese de que estaria no processo de isolamento político. "De forma alguma. O ideal é que pudéssemos manter todo o grupo que esteve conosco desde o segundo turno", disse.
Na visão dos aliados, uma falha grave do prefeito é a falta de zelo com as legendas que lhe dão ou davam sustentação ao seu governo. Segundo um pedetista em reserva, o estopim para a saída de José Queiroz (PDT) da base de sustentação do PT e seu consequente alinhamento com o PTB foi a falta de pulso de João Paulo no sentido de intervir para que o ex-vice-presidente do PDT, Ilo Jorge não fosse para o PCdoB. Ilo Jorge e Queiroz travaram uma briga acirrada pelo controle do partido que culminou com a intervenção em favor de Queiroz e a saída de Ilo.
Segundo José Queiroz, um político deve funcionar com um jogador de xadrez. "Ele precisa captar todos os sinais e movimentos. Senão estará perdido", afirmou. Agora de fora da aliança, o líder pedetista lamenta o tratamento dispensado pelo prefeito ao seu partido. "Sempre fomos coadjuvantes da aliança com o PT. Merecíamos um tratamento mais atencioso", disse.
Para o presidente regional do PPS, Roberto Freire, seu partido cumpriu bem o papel de aliado, mas a recíproca não foi verdadeira por parte da PCR. "Não temos deles nenhuma consideração. Nunca fomos procurados. Não participamos da Prefeitura, salvo pelo trabalho que Waldemar Borges (integrante do PPS e presidente da Câmara do Recife) desenvolve", disse.
Freire reconhece, no entanto, que não se pode culpar apenas João Paulo ou o PT pelo lançamento de múltiplas candidaturas de esquerda. "O isolamento não é só da responsabilidade de João Paulo ou de seu partido. É também porque todas as legendas que têm projetos nacionais vão se esforçar para disputar num maior número de capitais brasileiras", afirmou.
Segundo o presidente regional do PTB, deputado federal Armando Monteiro Neto, a decisão das siglas aliadas do Governo João Paulo de lançar candidaturas próprias não pode ser interpretada como uma debandada. "Será que é ou estão procurando caminhos próprios? Vejo como um processo em que as legendas estão buscando firmar caminho próprio e não ficar apenas caudatárias do PT", afirmou. Procurado pelo DIARIO para falar sobre o assunto, o deputado Marcos de Jesus (PL), que recentemente lançou sua candidatura à Prefeitura do Recife, não retornou às ligações.