Nenhum grupo rebelde assumiu a responsalidade pelo tiros disparados contra a ministra
BAGDÁ - Seis pistoleiros feriram gravemente sábado Aquila Al-Hashemi, uma das três mulheres que integram o Conselho de Governo provisório do Iraque, informaram autoridades militares americanas. Aquila responde pela pasta de relações exteriores do conselho. Ela é o único membro do governo provisório iraquiano que também colaborou com o regime de Saddam Hussein. Aquila era uma das principais assessores do ex-chanceler iraquiano Tarek Aziz.
Nenhum grupo rebelde iraquiano responsabilizou-se pelo atentado, que ocorreu perto da casa da ministra. Segundo testemunhas, os agressores estavam no interior de um jipe. Lançaram duas granadas contra o carro da ministra. Notando que ela não havia sido atingida, fizeram vários disparos com arma de fogo, ferindo também um irmão dela, o chofer e um dos guarda-costas. Aquila foi baleada no estômago, ombro e pés.
A escolta da ministra respondeu ao fogo, matando um dos atacantes. A ministra foi levada ao hospital Yarmuk, na capital iraquiana, onde a submeteram a três horas decirurgia. Posteriormente, a transportaram para um hospital de campanha americano, instalado no aeroporto, aparentemente em conseqüência de seu estado, apontado pelos médicos como "extremamente grave".
O administrador americano do Iraque, Paul Bremer, condenou o ataque, classificando-o de "agressão brutal e sem sentido contra o povo iraquiano". Aquila é o primeiro membro do conselho iraquiano a sofrer um atentado. Ele é integrado por 25 personalidades do país - 13 muçulmanos xiitas, 5 muçulmanos sunitas, 5 curdos, 1 cristão e 1 turcomano. As outras duas mulheres que o compõem são Rayá Habib al-Juzaai e Sondul Shabuk Omar, que representa a minoritária comunidade turcomana.
Criado pelas forças de ocupação anglo-americanas, o conselho tem por tarefa governar o país em estreita colaboração com a administração americana, chefiada por Bremer, até a realização de eleições e a constituição de um governo democrático, provavelmente no próximo ano.
BERLIM - O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e o presidente francês, Jacques Chirac, foram recebidos hoje, em Berlim, pelo chanceler alemão Gerhard Schroeder, numa reunião sobre o Iraque. Os três se reuniram na sede do Ministério das Relações Exteriores alemão. Ao final do encontro, os líderes afirmaram terem concordado que a ONU deva desempenhar um papel importante na reconstrução do Iraque.
A reunião tenta afastar os fantasmas que surgiram durante a guerra no Iraque, quando Paris e Berlim se opuseram ao conflito anglo-americano e fizeram um acordo comum para uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU.
A cúpula tripartite ocorre após a reunião bilateral de quinta-feira entre Schroeder e Chirac, na qual se tratou do futuro do Iraque. Os dois líderes manterão encontros bilaterais com Bush em meio as sessões da assembléia da ONU. Washington tenta convencer a comunidade internacional a envolver-se mais no esforço militar e financeiro do pós-guerra no Iraque. Os EUA, no entanto, não abrem mão do comando militar e político da ocupação.
Para conseguir aprovar uma resolução do Conselho de Segurança que lhe favoreça, a administração Bush estaria empenhada em obter apoios da Rússia e da China - dois dos cinco membros permanentes do conselho - e da Alemanha para tentar isolar diplomaticamente a França, segundo o jornal The New York Times.
Uma porta-voz do governo francês, no entanto, afirmou que Paris não pretende rejeitar propostas americanas sobre o Iraque, apesar de manter sua posição de defender a rápida entrega do poder no país aos iraquianos.