Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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Europa tenta superar suas divergências

CONTINENTE DIVIDIDO

BERLIM - A Alemanha, a França e a Grã-Bretanha resolveram pôr um ponto final no conflito de vários meses que marcou a discussão sobre a guerra do Iraque. Mas a cúpula da reconciliação - o encontro entre o chanceler (chefe de governo) alemão, Gerhard Schroeder, o presidente francês, Jacques Chirac, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair - é marcada pela desconfiança que existe ainda entre ingleses, de um lado, e franceses e alemães do outro. Os ingleses, tendo do seu lado Espanha, Itália e os países da Europa Oriental que vão ingressar em maio de 2004 na União Européia (como Polônia e República Tcheca), apoiaram os americanos, enquanto a Alemanha e a França, liderando um grupo de pequenos países europeus, como a Bélgica, foram contra. Tal enfrentamento criou a maior divergência na história da União Européia.

  Depois de afirmar que Berlim está disposta a participar da reconstrução do Iraque, o chanceler Gerhard Schroeder disse, em entrevista ao jornal The New York Times: "É certo que a Alemanha e os Estados Unidos não estiveram de acordo sobre a melhor maneira de tratar o regime de Saddam Hussein. Mas não há razão para continuar este debate. Devemos olhar para o futuro. Trabalhar juntos para conseguir a paz".

  Os países que ficaram fora da "cúpula dos grandes", como o encontro foi chamado pelos jornalistas, reclamaram de maneira indireta. Oficialmente, não houve nenhum protesto, mas a Espanha e a Itália fizeram críticas, por meio dos editoriais dos jornais, por terem sido excluídas.

  A redução do número de participantes da reunião a um grupo pequeno deve-se ao interesse da Alemanha e da França em reatar com o premiê Tony Blair, para fortalecer a posição da Europa na ONU e na política mundial. O encontro é mais difícil para Blair, que enfrenta dificuldades internas, mas que pode tirar proveito da nova integração com os outros grandes da Europa. Porém, ele não pode assumir posições que desagradem aos Estados Unidos - afirmou Christian Hacke, cientista político da Universidade de Bonn.

MOEDA - Segundo o jornal Tagesspiegel, Blair precisa de um acordo com Chirac e Schroeder. O premier britânico tem problemas internos, queda de popularidade e sofre ainda com a insegurança causada pela recusa dos suecos em adotar o euro. Também na Grã-Bretanha os votos contrários ao euro são mais numerosos do que os favoráveis.

  Mas o interesse atual por um consenso é maior do que antes. Em discussão estarão não apenas o Iraque e o Afeganistão, mas também o projeto da Constituição européia, que ameaça ruir diante dos protestos dos países pequenos da UE, e a idéia da criação de um "clube dos três, um eixo Londres-Paris-Berlim,que deve assumir uma espécie de liderança no continente.








 

 
 
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