GUERRA
NOVA YORK - Mesmo estrelas levam bronca. A repórter Christiane Amanpour, correspondente de guerra da Rede americana CNN, foi chamada pela direção da rede para explicar suas afirmações de que a mídia americana estava amordaçada e sob censura na guerra do Iraque. Exatamente quando a Casa Branca começou uma ofensiva nas TVs para tentar ganhar os corações e as mentes americanas para a necessidade de manter as tropas em Bagdá, Amanpour afirmou, num programa de televisão, que a administração Bush intimidou a CNN e criou um clima de medo e auto-censura na Fox News.
ALTERAÇÕES - Na quarta-feira, o presidente do grupo CNN, Jim Walton, foi obrigado a falar sobre o assunto quando estava anunciando uma reformulação na direção do jornalismo da rede, exatamente porque vem perdendo a guerra pela audiência para a Fox.
"Não concordo com a opinião de Christiane sobre nossa cobertura de guerra. Christiane fala por ela mesma, não pela empresa" - desabafou, confirmando que ela foi chamada para uma conversa mas não foi punida.
Antes ele dissera que Christiane Amanpour era uma pessoa muito querida de sua equipe e uma das melhores jornalistas do Mundo, mas suas opiniões não expressavam a realidade.
A resposta da Fox News foi mais curta e mais grossa: "Podendo escolher, é melhor ser visto como soldado de Bush do que como uma porta-voz da Al-Qaeda - disse Irena Briganti em nome da empresa.
DEBATE - A confusão começou na semana passada, quando as duas poderosas da Imprensa americana se encontraram. Amanpour, chefe do escritório da CNN em Londres e jornalista experiente na cobertura de guerra, foi entrevistada no programa de estréia de Tina Brown, que por sua vez também é um mito da Imprensa americana, já tendo dirigido a Talk e a Vanity Fair.
"Eu acho que a Imprensa está amordaçada e se auto-amordaçou. Lamento dizer, mas algumas televisões, e talvez até certo ponto minha estação, foram intimidadas pelo governo e seus soldados da Fox News - disse Amanpour.