Líder tibetano concorda com ataques contra iraquianos
O líder tibetano Dalai-Lama, conhecido por ser um dos maiores defensores da paz no Mundo, surpreendeu na última quinta-feira ao dizer que o uso de violência "pode ser necessário para combater o terrorismo". "Essa é a pior forma de violência, então temos de reprimi-la, temos de tomar contramedidas", afirmou o monge budista, em visita aos Estados Unidos. Tenzin Gyatso, o Dalai-Lama, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1989, ainda insinuou que a guerra ao Iraque pode ter sido útil: "Apenas a história dirá".
Pela primeira vez na história, o Dalai-Lama mostra sintonia com a pax americana, uma maneira de manter a paz no Mundo usando o argumento da supremacia militar dos Estados Unidos. Ainda segundo essa visão, a força bélica dos EUA deve agir contra inimigos em potencial antes de o país ser atacado. É o chamado princípio de guerra preventiva.
No entanto, o Dalai-Lama insistiu que o antídoto real para o problema é a "compaixão e o diálogo com os terroristas". "Temos de encarar o que motiva seus atos. Sua menteestá dominada por emoções negativas", disse Tenzin Gyatso. Ele também rejeitou a idéia de choque de civilizações, amplamente difundida depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Segundo essa teoria, o Ocidente e o Mundo islâmico estariam prestes a entrar em colapso geral por causa de suas divergências culturais e econômicas.
As polêmicas afirmações do Dalai-Lama sobre terrorismo, divulgadas pelo jornal The New York Times, foram feitas durante uma visita a Nova York, a primeira desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Essa foi a última etapa de uma viagem de 18 dias pelos Estados Unidos. Além de encontrar-se com exilados tibetanos e dar palestras sobre o budismo, Gyatso foi recebido pelo presidente George W. Bush e pelo secretário de Estado norte-americano, Colin Powell.
A visita dele aos EUA tem uma ambição política. Ao recebê-lo oficialmente, o governo norte-americano o reconhece como chefe de Estado, contrariando os interesses do governo chinês, que considera o líder tibetano um inimigo dissidente.