Foi observando o dia-a-dia das mulheres líderes da Zona da Mata Sul que a comunicadora Micheline Américo se sentiu na obrigação de fazer uma intervenção para tentar reverter o quadro de exclusão digital. "Era interessante mostrar a elas que as tecnologias da informação e comunicação não são algo supérfluo, mesmo diante da miséria do local, mas um forte instrumento de inserção", lembra Américo.
A oportunidade veio então em novembro de 2002 durante uma seleção de uma bolsa de estudo e intervenção GRAL (Gênero, Ação, Reprodução e Liderança) da Fundação Carlos Chagas em parceria com a organização não-governamental feminista SOS Corpo. Na época, foram inscritos cerca de 250 projetos vindos de todo Brasil, dos quais apenas 12 foram selecionados, entre eles o Conexão.G.
Os grupos de mulheres organizados da região foram escolhidos como segmento prioritário para iniciar esse projeto, pois a população feminina é a mais excluída dos processos tecnológicos. Outro fator que pesou na escolha desse grupo de mulheres foi o fato delas serem em potencial agentes de multiplicação de conhecimento, já que são líderes.
Entre os grupos integrantes do Conexão.G (Centro de Mulheres de Palmares, Centro de Mulheres de Joaquim Nabuco, Centro de Mulheres de Catende e Centro de Mulheres de Água Preta) há ainda comunicadoras comunitárias de um programa de rádio que podem usar a aprendizagem para aprimorar suas ações e ampliar a discussão para suas ouvintes. (L.G.)