Regata Recife-Fernando de Noronha usa charme do arquipélago para atrair velejadores de todo o País
Mirella Marques
Especial para o DIARIO
Quem gosta de velejar no Brasil, já participou da Refeno ou tem vontade de participar. A conclusão é do próprio idealizador da regata oceânica Recife-Fernando de Noronha, Maurício Castro, de 74 anos. Observando os participantes da 15ª edição da Refeno, cada vez mais a premissa do pioneiro é comprovada. Os mais de 100 barcos participantes da prova deste ano possuem tripulantes com diversas histórias de vida, mas uma coisa em comum: o amor ao iatismo.
Diretamente ligado à vela, o maior projetista de barcos do País participa do evento este ano. Sem preocupações com o resultado final do percurso de 300 milhas náuticas, o carioca Roberto Barros construiu pelo menos seis barcos que participam da Refeno, incluindo o seu. Ele é um dos sócios do escritório de projetos navais Iate Desingn e já fez barcos para nada menos que Amir Klink. "Participar da Refeno é maravilhoso. É como estar de férias", comentou o designer, que compete este ano com o barco Fiu, um mono-casco de 28 pés, na categoria RGSE. Na primeira vez que Roberto fez a Refeno, em 99, foi campeão com o barco Tatuamunha.
Até os iatistas de outras categorias admitem o fascínio pela Refeno. O velejador estadual Hisbelo de Lima, terceiro melhor do Brasil na Hobie Cat 16, chega como marinheiro de primeira viagem na regata oceânica. "Sempre quis participar por que dá uma experiência danada velejar em barco grande, é totalmente diferente de uma embarcação pequena", comentou. Ele participa da regata com o barco Larissa II, na categoria multi-casco B, com mais cinco tripulantes. O já consagrado iatista pernambucano Cláudio Cardoso - com o título de campeão mundial no Hobie Cat 16 - marca presença no evento, à frente do barco Azurra.
Minoria entre os outros tripulantes, o barco Drifter traz à bordo a única embarcação composta apenas por mulheres. Chirstina Frediani, Vania Lessa, Rossana Ramos, Iara Lindoso, Sandra Branchine, Celina Mariano, Liliana Fracari e Tatiana Acioli vieram de Brasília e participam pela primeira vez daRefeno. "Deixamos para trás os maridos e os trabalhos para realizar o sonho de participar do evento. Nos organizamos para isso desde o início do ano, com aulas e treinamentos intensivos", disse a capitã Chirstina. Os velhos marujos também confirmam presença na competição oceânica, como o alemão Jan Heiko Voskamp, que mora no barco Aussteger há seis anos. "Participar da Refeno é como estar de férias para mim", brincou Jan, que veleja a 22 anos.
O pai da Refeno, claro, participou de todas as edições da competição e cita que o diferencial da regata com relação às outras do País é simplesmente o paraíso Fernando de Noronha. "A ilha é algo que sempre povoa o imaginário coletivo. Por isso tanta gente vem de outros estados do País e até do exterior para participar", costuma dizer Maurício. O sonho de pisar no arquipélago de barco veio da infância e foi custeado com recursos próprios nos primeiros anos do torneio. Há quinze anos, ele e mais vinte embarcações cruzaram as 300 milhas que separam a capital pernambucana de Fernando de Noronha e deram início ao atual sucesso do evento, que desde a sua primeira edição conta com barcos de outros países.