Eleição para prefeito de 2004 coloca campanhas de candidatos na rua
Quando foi eleito pela segunda vez para comandar os rumos de Petrolina, em 2000, o prefeito Fernando Bezerra Coelho não fazia a menor idéia do que estava por vir. A vitória esmagadora sobre o primo Luiz Eduardo Coelho, com mais de 30 mil votos de frente, se dissipou rapidamente diante de uma profunda modificação no cenário político em nível estadual e nacional.
A verticalização das eleições, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado, obrigava que as alianças políticas em nível nacional fossem também reproduzidas nos Estados e municípios. Como o PPS, partido do prefeito, havia lançado a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência da República, Fernando Bezerra decidiu dar o seu apoio em Pernambuco à reeleição do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB).
Detalhe: Jarbas, até então, era seu adversário político e contava com o apoio, desde 1998, da outra ala da família Coelho, liderada pelo deputado federal do PFL, Osvaldo Coelho (tio de Fernando). A decisão de ir para o palanque de Jarbas custou caro ao prefeito.
Seus aliados de esquerda, tendo à frente o PT de Isabel Cristina (atual superintendente da 3ª SR Codevasf), não entenderam - e nem se conformaram - com decisão. Depois de várias reuniões com os correligionários municipais, o Diretório Estadual do PT achou que o mais coerente seria o partido se desligar do prefeito Fernando Bezerra, entregando todos os cargos que ocupava no primeiro e segundo escalões.
Mas o inferno astral do prefeito piorou em outubro de 2002, quando viu seu irmão e deputado federal Clementino Coelho perder a reeleição a Câmara, assim como seu então fiel seguidor Ranilson Ramos, que também não renovou mandato à Assembléia do Estado (Ranilson rompeu com FBC e deixou o PPS). "De todas as derrotas que já tive, essa eu considero a mais amarga", disse o prefeito, na época.
Resposta - Com o novo cenário político formado, nomes conhecidos da esquerda em Petrolina, a exemplo da própria Isabel Cristina e do deputado federal Gonzaga Patriota, ressurgem com força ainda maior.
O prefeito sabe que em 2004 a disputa será completamente diferente daquela de quatro anos atrás. No entanto, ele deve apostar todas as suas fichas na reeleição, pois seu sonho de um dia chegar ao Palácio do Campo das Princesas poderá naufragar se for derrotado, já que vai ficar praticamente dois anos sem mandato político.
Mas no momento Fernando Bezerra não pensa como candidato (pelo menos é o que diz). Sofrendo um desgaste político por conta do orçamento minguado da prefeitura, ele terá de se defender novamente da acusação de improbidade administrativa, feita pelo Ministério Público do município, por ocasião da compra de um terreno numa área destinada à construção do aterro sanitário. Segundo o Ministério, o prefeito, que comprou o imóvel em 2001, já teria adquirido o imóvel em 1996, quando ocupou pela primeira vez o cargo.
Apesar das dificuldades, Fernando Bezerra está procurando tocar Petrolina com a mesma obstinação que lhe rendeu bons frutos em sua primeira gestão. Realizando obras em toda a área urbana, em parceria com os governos estadual e federal, o prefeito espera terminar o seu mandato cumprindo boa parte das promessas de campanha.
A privatização da empresa Águas de Petrolina, responsável pelo serviço de água e esgoto do município, cujo edital de licitação já saiu no Diário Oficial, poderá ser um trunfo tirado da manga. "Acredito que no momento certo o povo petrolinense saberá avaliar a nossa administração e dará a resposta que esperamos", estima o prefeito.