Vento a favor
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Os ventos externos vão soprar a favor no segundo ano do Governo Lula. As previsões de instituições como FMI e Banco Mundial ou de bancos privados, como o JPMorgan, coincidem: o Mundo vai crescer mais no ano que vem e a América Latina vai sair do quadro de encolhimento do PIB regional em que se encontra. Até o Japão tem bons prognósticos. Quando o mundo cresce, tudo fica mais fácil.
O cenário econômico divulgado pelo FMI para a reunião de Dubai mostra um quadro global de melhora das expectativas de crescimento. A economia americana está com as mais otimistas expectativas em quatro anos. Isso não quer dizer ausência de problemas. Há risco de instabilidade nos Estados Unidos, que, se for confirmado, compromete as boas previsões que estão sendo feitas atualmente. Em 2000, a economia americana estava com superávit de 1% do PIB nas contas públicas. Terminará 2003 com um déficit de 6% do PIB. Segundo o relatório do Fundo, é a mais rápida deterioração fiscal do país nas últimas três décadas. Está se aprofundando também o déficit americano em transações correntes, que fez o FMI dizer que estão de volta os "déficits gêmeos" como na década de 80.
Na pesquisa da AT Kearney divulgada na semana passada, ficou claro que os investidores têm hoje preocupações em relação à maior economia do Mundo que antes estavam limitadas aos mercados emergentes: déficit público, enfraquecimento da moeda, volatilidade. Essa mesma preocupação está exposta no relatório do FMI, ou nos panoramas avaliados pelos departamentos de pesquisa dos bancos. Esse é o grande ponto de interrogação que pesa sobre a economia do mundo. Se a americana mantiver o ritmo da retomada nos próximos trimestres, vai puxar os outros países, alimentar o trânsito dos investimentos estrangeiros e realimentar o ritmo de crescimento econômico global.
O processo de estagnação da Europa foi mais longo e mais profundo do que se achava. Não há previsões de que esse ambiente se reverta fortemente, mas também na área do euro as projeções de instituições privadas e multilaterais são de um crescimento maior do que o deste ano. Se houver mesmo queda e estabilidade nos preços do petróleo, isso ajudará a Europa a manter-se no caminho da recuperação. O Japão, que tem estado parado há tempo demais, surpreendeu desde o segundo trimestre deste ano, crescendo mais do que as expectativas de mercado.
Algumas previsões são até de queda pequena em relação ao ritmo do crescimento atual, que está por volta de 2%, mas qualquer crescimento para o Japão é lucro depois de tanto tempo de estagnação. A Ásia, excetuando-se o Japão, continua com previsão de crescimento forte, puxado pela China.
Este ano, houve um momento em que se temeu que a SARS pudesse reduzir o ritmo de crescimento sustentado da China e países da região. Mas isso não aconteceu. Até nos países mais pobres do mundo, na África abaixo do Saara, o crescimento deste ano está sendo de 3,6% com chance de ser maior no ano que vem.
A América do Sul vai ter, definitivamente, um ano melhor em 2004 do que foram os últimos dois. A Venezuela vai sair da recessão de dois anos; o Peru continuará crescendo; a Argentina seguirá a retomada em busca do PIB perdido - este ano está crescendo 5,5% e, no ano que vem, deve ficar em torno de 4%, segundos as previsões do estudo do Fundo. O Brasil terminará 2003 com um número pequeno no PIB do ano gregoriano, mas com um ritmo de crescimento razoável no último trimestre. E é com esse ânimo que entrará no ano que vem. Por todo esse cenário mundial, há uma expectativa razoável de que o ambiente externo em 2004 esteja mais favorável, alimentando a retomada da economia brasileira.