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Devedores tentam novo crediário
Os comerciantes - que enfrentam uma queda de 7,5% no faturamento este ano, segundo dados do IBGE - contam com esse movimento dos consumidores para garantir a recuperação das vendas. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fernando Catão, explicou que o segmento não tem esperanças de superar dezembro passado, mas ficará feliz em manter o volume registrado no Natal de 2002. "As pessoas fazem o máximo para pagar o que devem porque só assim vão conseguir um novo crediário no final do ano", afirmou.
Segundo Catão, são nos meses de setembro, outubro e novembro que as lojas recebem o maior número de visitas dos clientes inadimplentes. É também nesse período que os consumidores evitam contrair dívidas. Mas para o presidente da CDL existe uma maior dificuldade em 2003 para aqueles que desejam honrar os compromissos. Isso porque o fantasma da inflação que ressurgiu no final de 2002 e assustou os brasileiros até meados do primeiro semestre deste ano fez com que o poder salarial do trabalhador fosse achatado.
Sem dinheiro sobrando no bolso, ficou mais complicado para quitar os débitos contraídos ao longo do ano ou em anos passados. O diretor regional da Telecheque, José Renato Leite Dantas, concorda com Catão. Mas ele garante que a nova queda da taxa básica de juros (Selic) - confirmada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira - deve reaquecer um pouco a economia nos próximos dois meses. Justo na véspera do Natal. "As quedas na Selic não são sentidas de imediato", lembrou Dantas.
O diretor regional da Telecheque contou também que algumas mudanças no comércio já são verificadas agora em setembro. De acordo com José Renato Dantas, o número de consultas realizadas pelas empresas nesse mês considerado morno chega a ser surpreendente. "É o melhor setembro em três anos", declarou. Em suas palestras sobre as perspectivas para a economia brasileira dos próximos meses, o economista e ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega também destaca o controle da inadimplência.
Sócio da consultoria Tendências, o ex-ministro veio ao Recife na última semana. Apesar de ainda colocar em dúvida a confiança do consumidor nos rumos da política econômica seguida pelo presidente Lula, Nóbrega aposta na recuperação da renda real da população. "Agora a população já sabe que quando a taxa cai é uma coisa boa e pode pensar em comprar outra vez", brincou.
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