Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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Economia

Chegou a hora de limpar o nome para poder consumir

Inadimplente que tenta pagar dívidas cresce com proximidade do Natal

Tatiana Nascimento
DA EQUIPE DO DIARIO

Nada como um Natal após o outro para reduzir os índices de inadimplência e conduzir o devedor pernambucano às lojas e unidades de proteção ao crédito. Está na hora de limpar o nome na praça e garantir os presentes de dezembro. Os levantamentos de diferentes entidades ligadas ao crédito apontam para esse movimento por parte dos consumidores. No Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o número de pessoas que deixaram o cadastro negativo em agosto foi 7% maior que no mesmo período de 2002. Cerca de 500 pessoas têm procurado diariamente a central de atendimento do Recife para resolver suas pendências.

  Já a pesquisa da CheckOK, empresa de verificação eletrônica de crédito, apontou que de cada mil cheques compensados em agosto em Pernambuco, 67 foram devolvidos por falta de fundos. Na comparação com o mesmo mês de 2002, a queda foi de 2,1%. Em relação a julho deste ano, a redução foi de 18,3%, a maior registrada entre os estados brasileiros. Os números nacionais também mostram que a inadimplência apresenta uma trajetória declinante. Um levantamento divulgado pela Equifax mostram que, em agosto, o volume de cheques devolvidos (2.944.025) no País foi 15,1% menor na comparação com julho.

  Uma outra pesquisa, esta divulgada pela Serasa, revelou um crescimento recorde do número de regularizações de pendências de pessoas físicas e jurídicas. Nos primeiros sete meses deste ano, as baixas corresponderam a 73% do número de novas pendências incluídas. No mesmo período de 2002, tinham representado apenas 45%. A autônoma Estela Maria Maia passou pelo balcão de atendimento do SPC na última semana em busca de um acordo para quitar a dívida com a empresa de telefonia celular e sair do cadastro de inadimplentes. São três faturas em atraso. O marido e filho de Estela estão desempregados.

  De acordo com a autônoma, o débito será pago com o dinheiro que ela recebe por ajudar uma amiga que trabalha com vendas. "Nunca tinha ido parar no SPC. Mas o ano tem sidodifícil. Eu assumo a minha dívida. Agora, o mais importante é procurar pagar esse débito. Com o nome limpo, posso conseguir crediário", comentou Estela, que aposta na chegada do Verão para que o esposo e filho consigam pelo menos um emprego temporário. Já a dona de casa Maria Betânia da Silva foi até a central do SPC para tentar se livrar de uma dívida contraída pela cunhada em 1999 em uma loja de departamentos da capital.

  O débito inicial era de R$ 105,00. "Agora irei até a loja para tentar fazer um acordo", disse Maria Betânia ao lado da filha pequena, que não faz idéia do que é ter o nome sujo na praça mas com certeza já sonha com o presente de Papai Noel. De acordo com o gerente operacional da CDL, Hugo Philippsen, o cadastro de inadimplentes do SPC tem cerca de 1 milhão de nomes no Estado. Desse total, 700 mil devedores estão concentrados na capital. "A devolução dos créditos do FGTS ajudou bastante. Quando as pessoas começarem a receber o 13º salário, a quitação das dívidas irá aumentar", comentou.

ELETROS - A nova linha de crédito com juros baixos, anunciada pelo Governo federal para estimular a compra de produtos da eletrônicos, também é apontada pelo gerente da CDL como um incentivo para os devedores saírem do cadastro de inadimplentes. É que para contratar empréstimos de R$ 100,00 a R$ 900,00 - com a chance de pagar no prazo máximo de 36 meses a uma taxa de juros de 2,53% ao mês - o candidato não pode ter o nome sujo.

  Já os técnicos da Serasa consideram a liberação das restituições do imposto de renda, a partir de junho, e o início do pagamento dos rendimentos do PIS, no mês passado, outros ingredientes na atual corrida para regularizar pendências. Ainda assim, o número de devedores no País continua alto. Cerca de 21 milhões de pessoas físicas e jurídicas aparecem na lista da Serasa.

 


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