Curiosamente, entre os produtos que registraram queda no volume vendido no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2002, os artigos de higiene e beleza pessoal foram os que apresentaram os menores percentuais. Xampu, por exemplo, contabilizou redução de 1,1%, desodorante 1%, sabonete 1,5%. Creme dental registrou aumento de 0,5%. Na avaliação da responsável pela pesquisa da Abras, Fátima Merlin, esse comportamento é explicável em momentos de crises. "Já que a pessoa vai ter de levar menos arroz, manteiga e óleo, ela faz uma certa compensação para aliviar seu ego", disse.
A professora Renata Feitosa, 34 anos, confirma a tese da economista. "Fizemos uma reformulação completa em casa. Substituímos a carne vermelha pelo frango, deixamos de fazer pudim no final de semana e trocamos muitas marcas pelas próprias dos supermercados. Mas não deixei de usar o meu xampu e nem sabonete preferidos", justificou. A aposentada Marlene Rocha passou a não desperdiçar nada na cozinha. Segunda ela, tudo se transforma em alguma coisa boa: é só ter criatividade e amor. "As cascas de verduras se transformam numa deliciosa sopa. A sobra de um feijão em um delicioso tutu. É assim que vamos nos virando em um País tão louco como o nosso", ensinou.
O comerciante Lauro Gondim, 44 anos, tem outra dica para economizar. "Além de ter mais cuidado na hora de cozinhar, utilizando só o necessário, passei a ir ao supermercado mais vezes em busca de promoções". A dona de casa Maria das Graças Costa acha que a compra em quantidade é mais vantajosa. "Faço uma economia de 20%", disse.