Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 

Início Diario de Pernambuco Brasil Genéricos perdem espaço político

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista da TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias




Brasil

Genéricos perdem espaço político

Prioridade de Serra era baixar preços, enquanto a de Humberto é aumentar produção

SÃO PAULO - Menina dos olhos da gestão anterior, a política de medicamentos genéricos passa por resfriamento no Ministério da Saúde. A prioridade do novo Governo, seguindo seus instintos de Estado-empresário, é produzir mais medicamentos. Para isso, vai dobrar, em 2004, o orçamento dos 17 laboratórios oficiais, de R$ 40 milhões para R$ 80 milhões.

  O acesso a remédios é o principal aspecto que uma política de genéricos deveria visar, na opinião das indústrias que fabricam esse tipo de medicamento. Vera Valente, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), defende mudanças na lei para obrigar os planos de saúde a custear esses remédios para os associados sem aumentar o preço.

  O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, rejeita a hipótese de custear remédios sem aumentar os preços dos planos. "Remédio gratuito é impraticável", diz. Segundo ele, já há empresas que prevêem cobertura de alguns genéricos, com custos incluídos.

  A Pró-Genéricos defende, também, mudança na Lei de Licitações, para permitir que o Sistema Único de Saúde (SUS) compre remédios não só pelo critério do menor preço, mas pelo da qualidade. Os fabricantes de genéricos criticam a compra pelos hospitais públicos de similares, mais baratos, mas com dosagem e modo de uso diferentes dos de marca ou genéricos.

  Durante a gestão do ex-ministro José Serra, Vera era gerente de Genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e introduziu, em 1999, esse tipo de medicamento no Brasil. O ministro Humberto Costa reduziu o status dessa gerência da Anvisa. "Não tinha por que os genéricos continuarem com o destaque que tinham quando eram plataforma política de um candidato à Presidência", diz um funcionário da Anvisa.

DEFESA - "Os genéricos certamente exercem papel importante, mas o Governo tem responsabilidade de conduzir políticas públicas como um todo, não para um setor específico", diz o diretor do Departamento de Assistência Farmacêuticado Ministério da Saúde, Norberto Rech. "Há a intenção do Governo de aumentar o uso de genéricos, mas política pública não pode ser política de mercado". Ele salienta que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu linhas de crédito para os fabricantes de genéricos investirem também na produção. A indústria como um todo, no entanto, já está com 40% de sua capacidade ociosa.

  Como prova de que não tem nada contra genéricos, a Anvisa aponta o aumento da sua participação no mercado este ano. Segundo ela, a fatia dos genéricos no mercado era de 6,4% quando o governo tomou posse, em janeiro; agora, já está em 9%. De acordo com a Pró-Genéricos, no entanto, esse aumento se deveu a campanhas de publicidade feitas pelas empresas.


Leia Mais...

Negros têm menos acesso à saúde







 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br