O programa Bolsa Familiar, que o Governo pretende lançar este ano, em Brasília, unificando cinco diferentes ações federais de transferência de renda, tem números bem mais elevados: promete aumentar de 7 milhões para 10 milhões as famílias beneficiadas com repasses de no mínimo R$ 50. A Síntese dos Indicadores Sociais 2001 do IBGE aponta a média de 3,3 pessoas por família, o que indicaria 33 milhões de beneficiados até o fim do mandato do presidente Lula.
Sônia elogia a iniciativa de fazer um cadastro único de todos os beneficiários de programas de combate à pobreza. No entanto, não aprova a decisão do Governo de extinguir programas como o bolsa-escola e o cartão-alimentação. A pesquisadora diz que são modelos diferentes, pois um está vinculado à permanência de filhos na escola e outro ao comparecimento regular aos postos de saúde.
"O cadastro é essencial para o controle. Tem que controlar mesmo, porque temos forte tradição de clientelismo e filantropia. Mas o cadastro não deve impedir que operacionalmente exista o cartão-alimentação ancorado na rede de saúde e o bolsa-escola ancorado na educação. Seria uma perda substituir o bolsa-escola e o cartão-alimentação por um programa geral. Pode entrar um novo programa, mas sem desmantelar o outro", diz a professora.
A escolha do Governo de dar prioridade a municípios com menos de 75 mil habitantes está correta, na avaliação de Sônia. "Faz sentido, porque, nessas áreas o Governo federal entra praticamente sozinho. No Nordeste há áreas isoladas, municípios onde falta tudo. O Governo estadual entra pouco e o municipal praticamente não existe", afirma.