Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 

Início Diario de Pernambuco Brasil Brasileiros enfrentam o trabalho sem fanatismo

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista da TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias




Brasil

Brasileiros enfrentam o trabalho sem fanatismo

Na Argentina, México e Chile, há uma obsessão pela vida profissional

SÃO PAULO - Uma análise a respeito do perfil psicológico de consumidores na América Latina mostra que os brasileiros são os menos "viciados" em trabalho na região. Os argentinos, os mexicanos e os chilenos aparecem, nessa recente pesquisa, como os mais aficionados no assunto vida profissional. O levantamento apresentou um fato curioso entre os povos analisados: quando questionado sobre o que faria caso recebesse uma bolada extra - como se ganhasse na loteria, por exemplo - o brasileiro afirmou que continuaria trabalhando normalmente. Segundo especialistas que analisaram os dados, tal fato ocorre porque, ainda que menos workaholic (viciado em trabalho) que outros povos, o brasileiro sente uma necessidade maior de se manter empregado.

  Os dados pertencem a um levantamento da Target Group Index Latina (um dos serviços do Ibope Mídia) elaborado em parceria com a empresa Kantar Media Research. A pesquisa sobre hábitos e perfil psicológico do consumidor, que é realizada anualmente, entrevistou 55 mil pessoas em oito países da América Latina.

  De acordo com esse estudo, quatro em cada dez brasileiros dizem que não se consideram obcecados pelo próprio trabalho. Pela metodologia do trabalho o índice atribuído ao país pela pesquisa está em 77. Quanto mais distante da base 100, menor é o índice de pessoas classificadas como "viciadas em trabalho".

  No México, o índice está em 120, o que significa que seis em cada dez se consideram "viciados" em trabalho. As pesquisas foram feitas nas principais cidades industriais dos países analisados. Ou seja: São Paulo, Santiago, Buenos Aires e Cidade do México, por exemplo. O trabalho iniciou-se no final de 2002 e foi concluído no final do primeiro semestre.

  O levantamento detectou uma aparente contradição nas respostas dos entrevistados no Brasil - foram 1.792 pessoas -, segundo os especialistas. Ao mesmo tempo em que o brasileiro não se vê como um aficionado pelo trabalho, ele se manteria no emprego mesmo se ganhasse na loteria. Na pesquisa, uma das afirmações que deveria ser refutadas ou não era: "Se ganhasse na loteria, não voltaria a trabalhar nunca mais".

  Por trás dessa resposta, figura um antigo conceito - comum no País - que pode explicar a contradição e lembrado pelos coordenadores. Aquele que diz que "o dinheiro que chega fácil desaparece facilmente também". Essa noção está menos presente na cultura dos mexicanos e argentinos, explicam os responsáveis pela coordenação do estudo na Cidade do México.

  Além disso, recentes crises econômicas na América Latina influenciaram o comportamento dos povos em relação às suas percepções sobre o trabalho e, conseqüentemente, influenciaram o resultado do estudo.

  A forte queda na renda dos argentinos, devido à crise econômica dos últimos anos, por exemplo, segundo o levantamento feito pela Target nesse país, ajuda a entender por que a população local responde positivamente à afirmação "sou viciado em trabalho".








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br