O pastor Leônidas dos Santos Miranda, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Altamira, no Estado do Pará, reclama do excesso de crentes que apóiam a reforma agrária nos dez municípios do Alto Xingu, onde atua. "Nós temos um cadastro com 10 mil famílias sem terra aqui na região. Mas há pastores demais se oferecendo para promover a reforma agrária. Algumas igrejas evangélicas, como a Metodista e a Luterana, atuam seriamente. Outras são aproveitadoras", reclama Leônidas Miranda.
As investidas das igrejas protestantes na zona rural seguem o caminho trilhado pela Católica, que logo depois do regime militar fundou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) que, por sua vez, deu origem ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), na década de 80. A Pastoral da Terra continua a apoiar firmemente o movimento.
AMAZÔNIA - Na Amazônia, a Igreja Metodista fundou a sua própria CPT, que tem um cadastro com 6 mil famílias de agricultores sem-terra. "A gente atua mediando conflitos agrários e sempre estamos do lado dos pobres. Só não incentivamos invasões em áreas produtivas, como fazem alguns segmentos da Igreja Católica", diz o pastor Lúcio Mendonça da Fonseca, residente em Altamira, no Pará.
A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, com forte atuação no Oeste do Paraná, uma das áreas de maior conflito do País, é uma das que incentivam invasões de terras. "Nós apoiamos e incentivamos as ocupações porque é uma forma legítima de forçar a reforma agrária", justifica o pastor Guilherme Lievin, que atua nos municípios que integram o ABC, na região metropolitana de São Paulo. A corrente progressista da Igreja Luterana começou a atuar na década de 80. Assim como as demais igrejas evangélicas, os luteranos pegaram carona na explosão das organizações não-governamentais. Com o reforço, passaram a enfrentar o Governo em defesa dos pobres e em nome do Senhor.