Cidades do Semi-árido pernambucano receberão repasse mensal de R$ 24,1 milhões do Governo federal
Liderando o ranking de cumprimento de metas do programa
Fome Zero entre os estados brasileiros, Pernambuco triplicou em 30 dias
o número de famílias que serão contempladas com o cartão-alimentação,
passando de 42.188 famílias em agosto para 126.022 em setembro. Através
do repasse mensal de R$ 24,1 milhões do Governo federal, um total de
115 municípios do Semi-árido pernambucano terão direito ao recurso de
R$ 50,00 por família a partir do próximo dia 25 de setembro.
O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Segurança Alimentar, José
Graziano, durante a assinatura do termo de cooperação do Fome Zero entre
os governos estadual e federal, no Palácio do Campo das Princesas. Além
da divulgação do crescimento do programa na região, José Graziano adiantou
que o Estado receberá, entre 17 e 21 de março de 2004, a 2ªConferência
Nacional de Segurança Alimentar, a ser realizada em Olinda, após dez
anos de realização da primeira edição do evento.
Contando com a presença do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e
do prefeito João Paulo (PT), além de secretários de Estado e prefeitos,
a cerimônia também foi pautada pela nomeação dos membros estaduais do
Conselho de Segurança Alimentar (Consea), que será encabeçado pelo diretor
de políticas agrárias da Federação dos Trabalhadores na Agricultura
de Pernambuco (Fetape), Adelson Freitas.
O presidente do Consea ressaltou que as novas diretrizes irão privilegiar
a alocação de recursos para o fortalecimento da agricultura familiar.
"O programa por si só não vai resolver o problema da fome e da miséria.
Tem de existir uma política voltada para a auto-sustentação das famílias",
informou Freitas, acrescentando que também vai trabalhar pelo distanciamento
dos produtos transgênicos no Estado.
Graziano, por sua vez, ressaltou que Pernambuco vem se destacando no
quadro de atribuições relativas às metas do programa. "Pernambuco tem
sido o primeiro em várias coisas. É preciso salientar que todas as famílias
que estão recebendo o benefício realmente precisam dele", garantiu.
O ministro também destacou a inauguração do escritório da FAO em Petrolina
- o primeiro braço do órgão ligado à ONU no Brasil -, que resultou na
assinatura de um projeto de cooperação técnica com o ministério em três
cidades do Sertão. Outras atividades, como a construção de 3.238 cisternas,
a distribuição de 1.637 toneladas de alimentos aos acampamentos do Estado
e o aumento em R$ 0,07 no valor per capita da merenda escolar também
estão no cronograma do projeto para este ano.
ÁGUA - Mesmo tecendo elogios à gestão do Fome Zero no Estado, o governador
Jarbas Vasconcelos alertou para outro problema das cidades do Semi-árido:
"Oitenta por cento dos prefeitos que estão aqui não têm água sequer
para consumo, quanto mais para a produção", declarou o governador de
Pernambuco.
Comentários dos Leitores
"Até quando os estados do Nordeste só serão notícia
por causa da miséria? Será que a demagogia deste governo, em somente
distribuir dinheiro para a fome, deve ser tão enaltecida? Até quando
o povo nordestino vai se contentar em ser "pedinte"? Será que a imprensa
não conseguiria mudar esta imagem ao contestar esta esmola do governo?
Está mais do que evidente que esta esmola nada mais é do que compra
de voto para as próximas eleições. A falta de educação "emburrece" as
pessoas, transformando-as em verdadeiros fantoches de políticos inescrupulosos.
Esta vergonha nacional vai durar até quando? Até quando o Nordeste será
o curral eleitoral destes políticos safados?", Maria Eloiza Rocha
Saez, por e-mail