FISCALIZAÇÃO
O Edifício Holliday, em Boa Viagem, pode ser comparado
a uma bomba-relógio do ponto de vista da segurança. Os hidrantes estão
vedados com tampões, o que impossibilitaria a ação dos bombeiros em
caso de incêndio e nenhum extintor estava disposto nos 17 andares do
imóvel até ontem. A situação foi constatada ontem por técnicos do Conselho
Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), Corpo de Bombeiros,
Celpe e Prefeitura do Recife, que realizaram vistorias a pedido do Ministério
Público de Pernambuco.
Erguido na primeira metade dos anos 60, o Holliday apresenta uma lista
de problemas que parece interminável. Eles começam no subsolo do imóvel,
onde a subestação de energia elétrica não dispõe de qualquer sinalização
e sistema de prevenção e combate a incêndio. As grades de proteção estão
sem aterramento. "Se houver vazamento de corrente, quem tocar nelas
poderá levar choques", adiantou o engenheiro de Segurança da Celpe,
Benévolo Amaral. As caixas d'água não têm tampas para impedir o acesso
de animais e insetos.
Mas os problemas podem ser vistos a céu aberto. Partes do reboco das
fachadas dão sinais que podem despencar a qualquer momento, o que também
pode ser percebido ao longo dos corredores e paredes dos 17 andares,
nos quais existem 476 apartamentos. São 28 unidades por pavimento. "As
caixas de gorduras estão cobertas de maneira inadequada, podendo provocar
acidentes e doenças", pontua o assessor técnico do Crea, Henry Coelho
Soares. O relatório com os problemas e possíveis soluções será encaminhado
ao Ministério Público.
O síndico do prédio, Jair Sedrez Rangel, reconhece as carências. E
aumenta a lista exemplificando com as inúmeras infiltrações e fissuras
percebidas nas escadas e paredes. "Mas é impossível resolver tudo, quando
a inadimplência dos moradores é de 60%". Segundo ele, o preço do condomínio
varia de R$ 30,00 a R$ 40,00, que aliado aos baixos valores dos aluguéis
- cerca de R$ 180,00 - atrai garotas de programas. "Alguns apartamentos
abrigam até dez garotas", informou, revelando játer sido identificados
marginais e traficantes de drogas. Uma das saídas planejadas, acredita
Rangel, é o aumento da taxa de condomínio que selecionaria os moradores.
Comentários dos Leitores
"Interessante como o pessoal do CREA/PE são atuantes
quando a matéria pode render 'IBOPE' jornalístico. Com relação ao interior,
as várias denúncias que já apresentei são vistas com indiferença
e total desrespeito ao denunciante. Por quê será? Arcoverde e muitas
outras cidades vizinhas estão repletas de irregularidades que ferem
a legislação profissional, a qual o CREA/PE é a entidade responsável
por fiscalizar, mas fica a fazer vista grossa, principalmente quando
se trata de obras no âmbito da eletricidade, eletrônica, informática,
telecomunicação, mecânica, e afins. Por quê será?", Joran Tenório,
por e-mail.