Sistema que deveria acabar com o mercado negro dos vales-transporte já virou negócio para golpistas
Renata Beltrão
DA EQUIPE DO DIARIO
Anunciado como o meio definitivo de acabar com o mercado
negro dos vales- transporte, o Sistema de Bilhetagem Eletrônica já está
sendo alvo de fraudes. O golpe foi descoberto na Prefeitura Municipal
de Olinda (PMO), que há apenas nove dias distribuiu os cartões eletrônicos
entre seus funcionários. Na última terça-feira, uma pessoa foi presa
no Largo do Varadouro revendendo dez cartões que tinham sido comprados
de empregados municipais por até R$ 70,00 a unidade, e que seriam alugados
a terceiros. A PMO e a Polícia Civil investigam a fraude e a provável
participação dos funcionários públicos no esquema.
O procurador de Olinda, Izael Nóbrega, acredita que os cartões seriam
devolvidos aos funcionários no fim do mês para o recarregamento de créditos.
Depois voltariam às mãos do atravessador, que os alugaria novamente
para outras pessoas. A própria Procuradoria denunciou a irregularidade
à Delegacia de Olinda, que fez a apreensão. O rapaz que estava de posse
dos cartões era vendedor de cachorro-quente e foi solto após prestar
depoimento. Segundo o delegado Joel Venâncio não houve roubo. "O crime
é administrativo. O rapaz não pode ser acusado penalmente por ter feito
a compra", declarou.
Os servidores, entretanto, vão ter que responder a processo administrativo
já instaurado na Prefeitura. No mínimo, perderão o direito de receber
o vale-transporte. "A venda do cartão deixou claro que estas pessoas
não precisam do benefício. Além disso, podem sofrer outras punições",
declarou o procurador. Os cartões apreendidos pertenciam tanto a servidores
quanto a contratados temporários de secretarias diversas, incluindo
Educação e Saúde.
A identificação deles será facílima: cada bilhete eletrônico tem impresso
no verso o nome, número de matrícula e até foto do servidor. No caso
dos temporários, são identificados com números de série que também podem
ser remetidos aos nomes. O delegado já pediu à Prefeitura que convoque
os envolvidos. Segundo Joel Venâncio, a Polícia investiga a possível
existência de esquemas semelhantes em outros pontos da cidade.
Izael Nóbrega acredita que outros servidores podem ter aderido a esta
modalidade de fraude. Ao todo, três mil funcionários fixos e temporários
de Olinda receberam os cartões de bilhetagem eletrônica, distribuídos
no dia 3 de setembro. Eles foram comprados pela Prefeitura ao preço
de R$ 14,00 por unidade e oficialmente continuam pertencendo ao poder
público, que os cede para o uso do funcionário mediante um termo de
compromisso. Mensalmente, eles serão recolhidos pelas diretorias de
recursos humanos das secretarias e recarregados pela Prefeitura, que
compra os créditos à EMTU.
Comentários dos Leitores
"É claro que não devemos dar atenção
a este assunto. Todo dia nós vemos ou ouvimos fraude na kombi.
O vale é 1,00 para adultos com passe fácil, porque outros
andam com o cartão de outra pessoa. Pense nisso!", Cris,
por e-mail
"Veja o nível de compreensão do procurador
de Olinda. Sr.procurador, se os servidores vendem seus passes, deve
ter alguns motivos. Por exemplo: salário baixo; aluguel caro;
alimentação e outros. Antes de tentar prejudicar os pobres, os
governantes deveriam olhar as condições que eles obrigam o povo viver.",
Airton Junior, por e-mail.