Edição de Sexta-Feira, 12 de Setembro de 2003
 
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Bilhete eletrônico é fraudado em Olinda

Sistema que deveria acabar com o mercado negro dos vales-transporte já virou negócio para golpistas

Renata Beltrão
DA EQUIPE DO DIARIO

Anunciado como o meio definitivo de acabar com o mercado negro dos vales- transporte, o Sistema de Bilhetagem Eletrônica já está sendo alvo de fraudes. O golpe foi descoberto na Prefeitura Municipal de Olinda (PMO), que há apenas nove dias distribuiu os cartões eletrônicos entre seus funcionários. Na última terça-feira, uma pessoa foi presa no Largo do Varadouro revendendo dez cartões que tinham sido comprados de empregados municipais por até R$ 70,00 a unidade, e que seriam alugados a terceiros. A PMO e a Polícia Civil investigam a fraude e a provável participação dos funcionários públicos no esquema.

  O procurador de Olinda, Izael Nóbrega, acredita que os cartões seriam devolvidos aos funcionários no fim do mês para o recarregamento de créditos. Depois voltariam às mãos do atravessador, que os alugaria novamente para outras pessoas. A própria Procuradoria denunciou a irregularidade à Delegacia de Olinda, que fez a apreensão. O rapaz que estava de posse dos cartões era vendedor de cachorro-quente e foi solto após prestar depoimento. Segundo o delegado Joel Venâncio não houve roubo. "O crime é administrativo. O rapaz não pode ser acusado penalmente por ter feito a compra", declarou.

  Os servidores, entretanto, vão ter que responder a processo administrativo já instaurado na Prefeitura. No mínimo, perderão o direito de receber o vale-transporte. "A venda do cartão deixou claro que estas pessoas não precisam do benefício. Além disso, podem sofrer outras punições", declarou o procurador. Os cartões apreendidos pertenciam tanto a servidores quanto a contratados temporários de secretarias diversas, incluindo Educação e Saúde.

  A identificação deles será facílima: cada bilhete eletrônico tem impresso no verso o nome, número de matrícula e até foto do servidor. No caso dos temporários, são identificados com números de série que também podem ser remetidos aos nomes. O delegado já pediu à Prefeitura que convoque os envolvidos. Segundo Joel Venâncio, a Polícia investiga a possível existência de esquemas semelhantes em outros pontos da cidade.

  Izael Nóbrega acredita que outros servidores podem ter aderido a esta modalidade de fraude. Ao todo, três mil funcionários fixos e temporários de Olinda receberam os cartões de bilhetagem eletrônica, distribuídos no dia 3 de setembro. Eles foram comprados pela Prefeitura ao preço de R$ 14,00 por unidade e oficialmente continuam pertencendo ao poder público, que os cede para o uso do funcionário mediante um termo de compromisso. Mensalmente, eles serão recolhidos pelas diretorias de recursos humanos das secretarias e recarregados pela Prefeitura, que compra os créditos à EMTU.

Comentários dos Leitores

"É claro que não devemos dar atenção a este assunto. Todo dia nós vemos ou ouvimos fraude na kombi. O vale é 1,00 para adultos com passe fácil, porque outros andam com o cartão de outra pessoa. Pense nisso!", Cris, por e-mail

"Veja o nível de compreensão do procurador de Olinda. Sr.procurador, se os servidores vendem seus passes, deve ter alguns motivos. Por exemplo: salário baixo; aluguel caro; alimentação e outros. Antes de tentar prejudicar os pobres, os governantes deveriam olhar as condições que eles obrigam o povo viver.", Airton Junior, por e-mail.


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