Edição de Segunda-Feira, 8 de Setembro de 2003
 
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Blair sem respaldo

GOVERNO BRITÂNICO ACHA QUE SERÁ ALVO DO TERROR E ELABORA PLANO PARA DESLOCAR POPULAÇÃO DE LONDRES PARA ÁREA RURAL

LONDRES - O instituto YouGov divulgou ontem uma sondagem elaborada para o jornal britânico Mail on Sunday sobre a popularidade do primeiro-ministro britânico Tony Blair. De acordo com o estudo, mais de 40% dos eleitores britânicos defendem a sua demissão. Os mesmos eleitores consideram que a morte do perito em armamento David Kelly mergulhou o país na maior crise política desde que Tony Blair chegou ao poder, há seis anos.

  A sondagem mostra também que 43% das pessoas interrogadas são atualmente a favor da demissão do chefe do governo contra 37% na antiga consulta, a 11 de agosto, antes de começarem as audições do juiz Brian Hutton para apurar as circunstâncias da morte de David Kelly.

  O corpo do perito foi descoberto em 18 de julho, depois de o ministério da Defesa ter confirmado que fora Kelly quem havia revelado à rede de televisão BBC que o governo teria manipulado o dossiê dos serviços secretos relativo ao Iraque, para justificar a guerra contra o Iraque e a derrubada de Saddam Hussein.

  No entanto, 41% dos inquiridos defendem que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha tiveram razões para desencadear a guerra contra o Iraque. Uma percentagem idêntica acredita que Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa quando foram iniciadas as operações militares contra 37 por cento que acreditam no contrário.

  Ontem, o semanário Sunday Times revelou que o governo britânico elaborou um plano para uma evacuação em massa de Londres em caso de ataque terrorista, citando documentos confidenciais. Esses documentos detalham as medidas a tomar no caso de um ataque terrorista em curso ou eminente, prevendo a deslocação de um grande número de moradores para "zonas de repouso e acolhimento" em espaços rurais nos arredores da capital, de acordo com o jornal.

  O plano confidencial, com o nome de código Operation Sassoon, foi apresentado em julho a um grupo de trabalho que junta funcionários públicos, especialistas em serviços de urgência e representantes de empresas de transportes, segundo o Sunday Times. O grupo detrabalho foi criado depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque e Washington, para preparar a capital do Reino Unido para catástrofes ou incidentes de larga escala.

  O jornal afirma que "informações de alto nível", indicando que um ataque terrorista está iminente, podem provocar uma evacuação em massa de grande parte da cidade de Londres e que existem planos "de realojamento a médio e longo prazo" se uma zona da capital se tornar inabitável devido a um atentado.


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