A geração Gustavo Kuerten começa a mostrar serviço. Felipe Fingerl, Fernanda Miranda, Bruno Savi, Isabela Kulaif, Rafael Garcia, Mariel Marffezzolli, Gabriel Dias e Marina de Luca, campeões da 6ªetapa Grand Slam Infanto-juvenil do Recife, encerrado sábado, são uma prova da qualidade técnica nas categorias de base do tênis. É desse universo de competidores que se espera colher os frutos de novos talentos daqui a três anos, já participando de etapas internacionais. Segundo o supervisor de eventos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Válter Martelotte, só este ano foram criados nove torneios a mais para os futuros Gugas.
A força do tenista catarinense foi tão grande que dobrou o número de competidores brasileiros. Hoje, os treinamentos ganharam periodicidade e disciplina. Se antes as brincadeiras com as raquetes estavam restritas aos fins de semana, agora a garotada quer ser profissional. "O objetivo é o Guga. Todos nós que começamos com as vitórias deles temos essa meta. Por isso o nível nos torneiostêm aumentado muito, para ver se alguém chega onde ele chegou", afirmou o tenista estadual Rafael Madruga, de 14 anos.
Nem a má fase do Manezinho - como Guga é chamado pelos amigos - tira a empolgação da moçada. "O crescimento do tênis está só começando", analisou o brasiliense Gabriel Pimentel, primeiro colocado no ranking nacional da categoria 16 anos. Prova disso é a reciclagem de ídolos da modalidade. Se Guga abriu as portas para o aumento do número de tenistas. Flávio Saretta e Fernando Meligeni, mesmo este em fim de carreira, contribuem para manter a garotada no esporte. "Depois que Guga começou a perder, estou torcendo pelo Saretta, que também tem muito potencial", disse o pernambucano Gabriel Roma, de 12 anos.
Essa euforia no tênis brasileiro foi visível durante a 6ªetapa do Grand Slam Infanto-juvenil Nacional, que terminou ontem no Squash Tennis Center. O nível de profissionalismo entre os competidores foi um dado novo, diferente do que acontecia antes. "Hoje os meninos ganham ou perdem, pegam suas bolsas e saem de quadra como se tivessem anos de esporte", comentou o técnico da delegação baiana, Ary Godoy Jr.
BOLEIROS - Em Pernambuco, os nomes mais fortes dessa nova geração não perdem um só treino. Pudera, os boleiros foram os maiores destaques estaduais durante o Grand Slam do Recife. Mesmo não conseguindo classificação nas finais, os seis boleiros pernambucanos foram os melhores tenistas do Estado no torneio. O maior destaque foi o ex-boleiro e agora rebatedor Fernando Albuquerque, de 18 anos, que passou até às quartas-de-finais. "Eles se dão bem nos torneios nacionais e no exterior também há histórias de ex-boleiros bem sucedidos", explicou o supervisor de eventos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Válter Martelotte.
E é Fernando quem dá a receita do sucesso dos boleiros. "Mesmo quando não estamos jogando, ficamos de fora observando as partidas e imaginando novas jogadas", comentou. Ele não esperava o resultado no Grand Slam e já se anima para participar da próxima etapa, que acontece em Minas Gerais. "Estou negociando com meus clientes para ver se consigo dinheiro para a passagem", comemorou. No feminino, foi a pequena Alexsandra da Silva de 11 anos, a Sandrinha, quem chamou atenção no campeonato com sua determinação. (M.M.)