Evento oficial
SALVADOR - Com os rostos pintados de verde, amarelo e preto, cerca de 1.200 estudantes levaram ontem o Exército, a Polícia Militar e a Marinha a interromper o desfile em homenagem à Independência, em Campo Grande, centro de Salvador. O protesto dos estudantes foi engrossado ainda por cerca de 3.000 sem-terra que chegaram à capital baiana para participar do Grito dos Excluídos. Outros 1.500 sem-teto, moradores de rua, homossexuais, camelôs e ativistas de comunidades negras também se juntaram aos manifestantes após a suspensão do evento oficial.
A interrupção da programação cívica - a primeira registrada na Bahia- aconteceu às 10h40. Para escapar das manifestações, as autoridades presentes no palanque oficial - entre elas, o governador Paulo Souto (PFL), o prefeito Antonio Imbassahy (PFL) e o presidente da CNBB, d. Geraldo Majella Agnelo - deixaram o local escoltadas pela tropa de choque da PM. Oito escolas foram impedidas de desfilar pelos estudantes.
A decisão de suspender o desfile foi tomada em conjunto pelos comandantes das três corporações. Quando perceberam que os estudantes tinham escapado do cerco policial e ameaçavam invadir a avenida - estavam a menos de 500 metros do palanque oficial-, os comandantes da operação pediram que as autoridades deixassem o local imediatamente.