Prisão do paranaense Alvir Reichert, acusado de vender música pela web, reacende polêmica da pirataria
Paulo Rebêlo
Especial para o DIARIO
A prisão do paranaense Alvir Reichert Júnior, acusado
de vender MP3 pela internet, pode ter dado início a uma longa batalha
técnica e jurídica entre usuários e gravadoras. Reichert foi preso na
semana passada, acusado de vender músicas pirateadas através do site
MP3 Forever, após uma investigação da Associação Protetora dos Direitos
Intelectuais Fonográficos (APDIF).
Responda: você costuma fazer download de MP3 pela internet? Em caso
positivo, você pode ser o próximo. De acordo com os juristas e especialistas
ouvidos pelo DIARIO, o caso de Reichert abre precedentes para que a
APDIF vá atrás de qualquer pessoa que viole os direitos autorais das
gravadoras, independente de quantidade.
Afinal, é ou não é ilegal baixar MP3? Em resumo, é. O que não é ilegal
é fazer MP3 de seus próprios CDs, como forma de armazenar para segurança
(backup) ou até mesmo por comodidade ou capricho. O diretor jurídico
da APDIF, Jorge Eduardo Grahl, explica que a lei permite punição para
"aquele que copia ou distribui música com ointuito indireto de lucro.
No caso, há o entendimento de que quem copia ou compartilha arquivos
com a intenção de economizar por não pagar pelos direitos autorais e
impostos, automaticamente está tendo lucro indireto e, portanto, enquadra-se
na violação de direitos autorais", dispara.
Grahl ressalta ainda um fator que muito interessa à maioria dos internautas:
quem utiliza programas P2P, como Kazaa, eMule, Grokster, entre outros,
não somente copia músicas mas também disponibiliza todo seu acervo aos
demais usuários, o que pode complicar ainda mais a situação.
Apesar das investidas recentes da APDIF, fato é que monitorar internautas
para saber o que eles estão fazendo é um tema de recorrente polêmica
e discussão. Para o advogado de defesa de Reichert, Omar Kaminski, que
é especialista em Direito da Informática, as autoridades deviam se preocupar
em ir atrás dos grandes fraudadores. "Está havendo mobilização de força
policial e imposição de penas severas, privativas de liberdade, para
a proteção de interesses corporativos, deixando tantos outros para terceiro
plano. A pirataria em larga escala é que traz prejuízos. É contra tais
criminosos que a lei deve ser aplicada com rigor", critica Kaminski.
Em tempo: Alvir foi solto na última sexta, após pagar fiança de vinte
salários mínimos. O valor foi reduzido, era duzentos salários. Ele vai
responder em liberdade por ter violado os parágrafos 1, 2 e 3 do artigo
184 do novo Código Penal.
www.rebelo.org
Comentários dos Leitores
"É preciso uma maior fiscalização para que os verdadeiros
culpados sejam presos e não somente os peixes pequenos. A APDIF
deveria procurar quem tem dinheiro e não quem quer simplesmente
compartilhar algo bom. E as gravadoras deveriam se preocupar em baixar
as margens de lucro e diminuir o valor dos cd's.", Erivaldo, por
e-mail