Hotéis e pousadas investem na ambientação dos quartos e no conforto para os hospedes
Fernando de Noronha já foi pit-stop de piratas no século XVI, prisão para desordeiros em seguida e base militar durante a 2ª Guerra Mundial, tudo isto antes de se tornar um destino do ecoturismo, há apenas 15 anos. Por conta da recente mudança de perfil, a rede hoteleira de ilha ainda não é bem estruturada. Predominam pousadas domiciliares que muitas vezes foram casas de pescadores. Elas têm uma média de quatro ou cinco suítes, nem sempre decoradas com, digamos, sofisticação. O turista mais atento não vai ter dificuldades em notar uma fotografia de Tóquio ou Nova Iorque na parede do quarto. Também não é raro ver flores de plástico adornando a entrada das pousadas.
Com o aniversário dos 500 anos do arquipélago, a administração local entrou em parceria com o Sebrae para dar uma espécie de banho de loja em algumas das hospedarias e torná-las mais condizentes com o clima praieiro e natureba de Noronha. Seis delas foram escolhidas para dar início a um projeto chamado Cara Brasileira na ilha, que consiste em redecorar a rede hoteleira com elementos próprios da cultura local. O primeiro quarto reformulado foi inaugurado no dia 10 de agosto, na Pousada Águas Marinhas. Os restantes devem estar prontos em sessenta dias e espera-se que as outras hospedarias entrem na onda por conta própria.
O tal quarto reformado ganhou telas retratando a ciranda, ritmo tipicamente pernambucano, além de luminárias e outras peças de decoração confeccionadas por artesãos da ilha. A mudança mais radical foi a substituição dos móveis comuns, comprados no Recife, por outros fabricados no próprio arquipélago com a madeira de uma árvore chamada linhaça. A planta é exótica ao ecossistema de Noronha, onde acabou se reproduzindo rapidamente e virando uma praga. Nada melhor, então, do que unir o útil ao agradável: os artesãos agora podem aproveitar a madeira fina e reta que a planta produz para construir artigos de movelaria, ao mesmo tempo que ajudam a controlar a reprodução da espécie.
O projeto vai consumir um investimento de R$ 30 mil para os seis primeiros quartos, sendo que cada pousada beneficiada se comprometeu a redecorar mais uma suíte por conta própria. Espera-se que um efeito dominó acabe incentivando outros pousadeiros a fazer o mesmo. Se der certo, os turistas só têm a ganhar. Ficarão com a garantia de um quarto para lá de aconchegante onde poderão resgatar as energias para o passeio do dia seguinte. (R.B.)