Edição de Quinta-Feira, 21 de Agosto de 2003
 
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Massangana premia roteiros para vídeos

CONCURSO

Luciana Veras
Da equipe do DIARIO

Em três meses, quinze projetos se inscreveram no primeiro concurso Massangana Multimídia para roteiros de documentários em vídeo. Como o nome diz, essa é uma iniciativa pioneira; nunca antes o braço audiovisual da Fundação Joaquim Nabuco, com diversos programas educativos no currículo, havia aberto sua estrutura, seus equipamentos e seus técnicos para quaisquer realizadores. O resultado do concurso, de tema Apartheid Social: Em Busca de uma Nova Abolição, foi anunciado no fim da tarde da segunda-feira. Recife: 3x4, de Janaína Cordeiro Freire, e Gangarras do Bandeira, de Lulla Clemente e Cátia de Oliveira, foram os contemplados.

  O que eles ganham: cinco diárias de uma câmera Betacam DXC D30, com direito a operador de câmera e assistentes; outras cinco diárias de equipamento de iluminação, com técnico; e quarenta horas de edição numa ilha não-linear Sony ES-7, também com editor. O que eles precisam entregar: um documentário de estruturas narrativas e estéticas estabelecidas por eles mesmos, a ser lançado pela Fundaj no dia 19 de dezembro. Quem os julgou: a coordenadora geral da Massangana Multimídia, a cineasta Adelina Pontual; o chefe do Cinema da Fundação, o crítico e realizador Kleber Mendonça Filho; o roteirista e diretor Hilton Lacerda e a diretora e montadora Karen Harley.

  Para Adelina, o essencial para a comissão de avaliação foi constatar que os projetos buscavam nichos ainda não manjados da temática da exclusão. "Foram treze projetos da Região Metropolitana do Recife, um da Bahia e um do Rio Grande do Norte. Em todos, procuramos ver como esse tema do apartheid social, bastante batido e bombardeado em programas, pudesse ser abordado de forma não necessariamente já explorada pela mídia e que não fossem tão óbvias", afirma.

  De Gangarras do Bandeira, ela valoriza tanto a "apresentação do projeto como um todo, " como a "inversão temática do racismo": "É sobre os integrantes de uma comunidade em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, que são discriminados por ser loiros". De Recife 3x4, a apresentação das diferenças da cidade por meio de personagens: "São anônimos que representam os bairros periféricos". Do concurso, Adelina ressalta que o objetivo é torná-lo anual e com mais penetração nos estados nordestinos. "A primeira ação era para aproximar a Fundaj da sociedade e a única que podíamos fazer sem dinheiro. Para o ano que vem, vamos tentar parcerias".

  Janaína Freire, co-roteirista do curta Morto-Vivo, roteirista de A Carteira e continuísta do documentário Tejucupapo, garante que sua interferência será mínima, quase nula, no processo de captação das sonoras de Recife 3x4. "A idéia é convidar três pessoas de três bairros distintos, um da zona Sul e dois da zona Norte, e pedir para eles mostrarem os lugares legais de suas comunidades, que tipo de relação eles possuem com o local onde moram e propor um passeio pelos bairros que não conhecem", conta. Isso se dará "sem consenso" ou qualquer tipo de aspiração nostálgica. "Não pretendo fazer nenhum tipo de apologia. Minha intenção não é propor solução alguma",diz Janaína.








 

 
 
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