CONCURSO
Luciana Veras
Da equipe do DIARIO
Em três meses, quinze projetos se inscreveram no primeiro concurso Massangana Multimídia para roteiros de documentários em vídeo. Como o nome diz, essa é uma iniciativa pioneira; nunca antes o braço audiovisual da Fundação Joaquim Nabuco, com diversos programas educativos no currículo, havia aberto sua estrutura, seus equipamentos e seus técnicos para quaisquer realizadores. O resultado do concurso, de tema Apartheid Social: Em Busca de uma Nova Abolição, foi anunciado no fim da tarde da segunda-feira. Recife: 3x4, de Janaína Cordeiro Freire, e Gangarras do Bandeira, de Lulla Clemente e Cátia de Oliveira, foram os contemplados.
O que eles ganham: cinco diárias de uma câmera Betacam DXC D30, com direito a operador de câmera e assistentes; outras cinco diárias de equipamento de iluminação, com técnico; e quarenta horas de edição numa ilha não-linear Sony ES-7, também com editor. O que eles precisam entregar: um documentário de estruturas narrativas e estéticas estabelecidas por eles mesmos, a ser lançado pela Fundaj no dia 19 de dezembro. Quem os julgou: a coordenadora geral da Massangana Multimídia, a cineasta Adelina Pontual; o chefe do Cinema da Fundação, o crítico e realizador Kleber Mendonça Filho; o roteirista e diretor Hilton Lacerda e a diretora e montadora Karen Harley.
Para Adelina, o essencial para a comissão de avaliação foi constatar que os projetos buscavam nichos ainda não manjados da temática da exclusão. "Foram treze projetos da Região Metropolitana do Recife, um da Bahia e um do Rio Grande do Norte. Em todos, procuramos ver como esse tema do apartheid social, bastante batido e bombardeado em programas, pudesse ser abordado de forma não necessariamente já explorada pela mídia e que não fossem tão óbvias", afirma.
De Gangarras do Bandeira, ela valoriza tanto a "apresentação do projeto como um todo, " como a "inversão temática do racismo": "É sobre os integrantes de uma comunidade em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, que são discriminados por ser loiros". De Recife 3x4, a apresentação das diferenças da cidade por meio de personagens: "São anônimos que representam os bairros periféricos". Do concurso, Adelina ressalta que o objetivo é torná-lo anual e com mais penetração nos estados nordestinos. "A primeira ação era para aproximar a Fundaj da sociedade e a única que podíamos fazer sem dinheiro. Para o ano que vem, vamos tentar parcerias".
Janaína Freire, co-roteirista do curta Morto-Vivo, roteirista de A Carteira e continuísta do documentário Tejucupapo, garante que sua interferência será mínima, quase nula, no processo de captação das sonoras de Recife 3x4. "A idéia é convidar três pessoas de três bairros distintos, um da zona Sul e dois da zona Norte, e pedir para eles mostrarem os lugares legais de suas comunidades, que tipo de relação eles possuem com o local onde moram e propor um passeio pelos bairros que não conhecem", conta. Isso se dará "sem consenso" ou qualquer tipo de aspiração nostálgica. "Não pretendo fazer nenhum tipo de apologia. Minha intenção não é propor solução alguma",diz Janaína.