Peças originais dos maiores criadores do século XX integram mostra que também destaca criação local
Phelipe Rodrigues
Da equipe do DIARIO
Moda na França é cultura - de maneira informal - desde a criação das maisons de alta-costura, no século XVIII. De forma oficial, o fenômeno da roupa como elemento de identidade do país virou discurso com o ministro Jacques Lang, do governo François Mitterand, na década de 1980. A partir daí, o resto do mundo começou a perceber que o que se veste é um produto tão eficaz para contar a história de um povo quanto as obras de arte e livros de história. É com essa importância que a vestimenta ganha sua primeira exposição em Pernambuco, chamada - apenas - por MODA, que abre amanhã, a partir das 19h30, no Instituto Cultural Bandepe.
"Com esse nome, nem precisamos de subtítulos. Ainda mais quando a grafia de moda, nos cartazes e convites, vem com as letras do abecedário de Erté, o ilustrador russo, que virou o mais importante de Paris, quando essa era a capital do estilo, na primeira metade do século XX", explica Carlos Trevi, diretor do Instituto. O tempo de concepção e montagem para esse trabalho, ele lembra, foirecorde. "Em 20 dias fizemos tudo, com um gasto total de R$ 200 mil". Metade dessa quantia, patrocinada pelo Sebrae-PE, permitiu que chegassem ao Estado peças originais dos maiores criadores do século XX.
De Coco Chanel, passando por Issey Miyake aos brasileiros Clodovil e Dener, quase todos os designers importantes nos últimos 100 anos estão representados através de seus looks. "Essa não é, no entanto, a primeira fase da exposição, que inicia com a História da Moda, onde são vistas gravuras com a indumentária medieval, do renascimento, junto com vestidos e casacas do século XVIII", adianta a responsável pela produção geral, Ana Gonçalves. Ao contrário dos vestidos, emprestados de acervos pessoais do Recife, Rio de Janeiro e itens do brechó Minha Avó Tinha, de São Paulo, as ilustrações são todas locais. "Fazem parte do farto material sobre história do costume que o colecionador Giuseppe Baccaro guarda em sua casa de Olinda", completa Ana.
A seguir, ainda no térreo do Instituto, o público verá o fashion assinado por Yves Saint Laurent, Christian Dior, Cristóbal Balenciaga e Emilio Pucci. "É onde estão concentrados os nomes internacionais, com uma visão da Moda pelo Mundo", avisa Franz Ambrósio, do Minha Avó Tinha, que junto com Ana Gonçalvez, conseguiu retirar preciosidades do closet de muita gente, como a carioca Maria Clara Tapajós e a paulista Renata Mellão. Da primeira, moradora do Hotel Glória, no Rio, foi trazida uma capa feita por Hubert de Givenchy.
O mezzanino do prédio será ocupado pela Moda Brasileira, e o último andar está reservado à Moda Pernambucana. Vêem-se peças da Alfaiataria Perrelli - que completa em 2003, 82 anos no mercado - acompanhado por obras-primas de Marcílio Campos, Eduardo Ferreira e trajes dos novos talentos da terra, como Gustavo Silvestre, Joana Pena, Carol Azevedo e Joana Gatis. Não foi esquecido o Pólo Confeccionista do Agreste, onde figuram Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama. Entretanto, a produção desses municípios chega com mais ênfase no dia 21 de setembro,quando serão apresentadas em um desfile no encerramento da mostra, que, amanhã, está aberta só aos convidados. No sábado, abre para o público.
Hoje, para iniciar o mês da moda em Pernambuco e abrir uma discussão mais aprofundada sobre ela, o diretor artístico da São Paulo Fashion Week e consultor do Paço Alfândega, estará promovendo a palestra Construção da Identidade da Moda Brasileira, a partir das 18h30, no auditório do Bandepe. As inscrições para o evento podem ser feitas pelos sites www.alfandegaonline.com.br, www.modapernambucana.com.br ou www.culturalbandepe.com.br.