Área vinha sendo ocupada nos últimos cinco anos e processo de reintegração de posse tramitava desde 2001
Cerca de 70 famílias, que ocuparam irregularmente um terreno em Camaragibe, tiveram suas casas demolidas na tarde de ontem. A área de aproximadamente dez hectares, conhecida como Pátio da Estação Ferroviária, pertence à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e vinha sendo ocupada nos últimos cinco anos. O processo de reintegração de posse estava em andamento desde 2001, mas apenas no último dia 9 de junho a liminar determinando a desocupação foi expedida pela 3ª Vara Civil do município. Na operação foram utilizados 12 caminhões, três tratores e 40 homens, disponibilizados pela RFFSA, além da Polícia Militar que também acompanhou a ação com 100 homens, entre efetivos do Batalhão de Choque, Cavalaria e Canil.
Os policiais chegaram ao terreno, na avenida Belmino Correia a cerca de 200 metros da Prefeitura, por volta das 5h e a desocupação teve início às 6h sem resistência dos moradores. Durante todo o dia, eles retiraram os objetos das casas e no fim da tarde os tratores começaram a derrubada. A maioria disse ter sido pega de surpresa. "Não sabia de nada e acordei com os policiais batendo na porta e mandando a gente sair. Até passei mal. Sei que o terreno não era nosso, mas estávamos vivendo aqui e investindo", desabafou Andréa da Silva, 27 anos, que morava há 1 ano e sete meses no local e disse ter gasto R$ 1 mil em reformas na casa, recentemente.
Os representantes legais da RFFSA garantiram que desde o início da ação um grupo de 15 moradores acompanha o processo. "Há cerca de nove anos a área começou a ser ocupada. Nas primeiras vezes conversamos e explicamos que o terreno pertencia à RFFSA, mas logo depois a área voltava a ser invadida", disse o advogado Roberto Cotias. Segundo ele, o terreno será concedido à Companhia Ferroviária do Nordeste, que irá dar continuidade à linha férrea no local.
Moacir Pereira, que montou um comércio no local há nove anos, afirma que chegou a participar das reuniões. "Tínhamos um advogado, mas ele abandonou a causa. Aí deixei de acompanhar", alegou. Sem ter para onde ir, Madalena Mendes, 47, que há cinco invadiu o lugar, tentava ficar com tudo o que podia. "Vou levar os tijolos que conseguir para ver se aproveito em outro lugar. Não tenho para onde ir, já vim para cá porque não podia pagar aluguel", esclareceu, enquanto derrubava sua casa e guardava os tijolos.
O conselho tutelar de Camaragibe foi acionado e tentou marcar uma reunião com a juíza Maria da Conceição, que expediu a liminar, e com a Prefeitura para garantir abrigo para os moradores. "É preciso garantir a integridade especialmente das crianças. Por enquanto, o jeito é eles irem para casa de familiares", destacou a conselheira Eliane dos Anjos, dizendo que iria ter uma reunião hoje com a juíza sobre o caso.