Edição de Quinta-Feira, 21 de Agosto de 2003
 
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Política

Lula apóia mandato maior

Presidente não afastou a hipótese de disputar reeleição em 2006

BRASÍLIA - Na sequência de entrevistas com que está quebrando o longo jejum, o presidente Lula afirmou ontem, em conversa com editores e colunistas políticos, que acha mais interessante para o País um mandato presidencial de cinco anos do que a regra atual, de quatro anos com reeleição. "Em 1994, por medo de mim, reduziram o mandato de cinco para quatro anos. Depois aprovaram a releição, que foi nociva ao Fernando Henrique e perniciosa para o Brasil".

  Nem por isso afastou a hipótese de disputar a reeleição - "eu sigo as leis do País" - mas admitiu que a mudança da duração do mandato poderá ser tratada pelo Congresso na reforma política, embora não tenha admitido a rediscussão de seu próprio mandato. Lula reclamou da falta de reconhecimento por dois feitos seus: a capacidade de negociar com a oposição, garantindo a aprovação da reforma previdenciária, e o fato de ter acabado com os marajás do serviço público.

  "O (Fernando) Collor falou tanto que faria isso mas quem acabou mesmo com os marajás fui eu, agorana reforma. Ninguém no serviço público vai ganhar mais de R$ 17 mil de salário. Não haverá mais aposentadoria de R$ 50 mil, R$ 30 mil, R$ 20 mil. Mas acho que, só daqui a 20 anos, vamos tomar consciência da importância dessa mudança que foi feita agora".

  A sua capacidade de negociar com a oposição, reclamou, foi mostrada pela Imprensa não como vitória mas como fraqueza do Governo. "O Fernando Henrique nunca negociou com a oposição, nunca fez como eu uma aliança com os governadores. Vou persistir sempre no diálogo e na negociação." Ele reclamou também das acusações de que o PT impediu o Governo FHC de aprovar as reformas.

  "Ele tinha 400 deputados, podia ter aprovado o que quisesse com sua própria base. Eu não, busquei e tive votos na oposição e viram nisso uma fraqueza." A reforma tributária, insistiu, também vai ser negociada e aprovada. "Se o Congresso mudar, inclusive na questão da CPMF, o Governo terá apenas que acatar a decisão, isso é da democracia."








 

 
 
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