Edição de Quinta-Feira, 21 de Agosto de 2003
 
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Número de mortos pode chegar a 13.600

CALOR NA FRANÇA

PARIS - O presidente Jacques Chirac e sua mulher, Bernadette, voltaram de um período de três semanas de férias de verão no Canadá ontem e encontraram o país em estado de choque diante da nova projeção dos serviços funerários franceses: 13.600 mortos em todo o país nas primeiras três semanas de agosto pela intensa onda de calor. Durante toda a crise, o presidente não saiu uma única vez do silêncio para anunciar uma providência ou dar uma palavra de conforto às famílias enlutadas - razão pela qual tem sido duramente criticado pela opinião pública. Pelo menos 82% das pessoas mortas nesse período tinham mais de 75 anos de idade. Metade do casos de falecimento ocorreu em asilos, 30% em hospitais e 20% em domicílio - alguns sem qualquer assistência pois seus parentes estavam de férias em outros municípios ou países. Isso revela que o drama acabou sendo agravado, em parte, também por um hábito da própria sociedade francesa e o tratamento dispensado aos idosos, praticamente abandonados à própria sorte no períododas férias.

  A Associação dos Médicos de Urgência considera plausível o número de vítimas estimado pelas funerárias, apesar da advertência do primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin para uma maior prudência na divulgação das previsões. Já o Ministério da Saúde sustenta que só um estudo científico poderá confirmar oficialmente o total de vítimas do calor, mas não se arrisca a desmentir os dados.

ITALIANOS - Um grupo italiano de defesa do consumidor pediu ontem a abertura de uma investigação governamental sobre as mortes relacionadas ao calor no país. Segundo o grupo, milhares de pessoas podem ter morrido em virtude do calor das últimas semanas na Itália.

  O Ministério da Saúde local recusou-se a divulgar números oficiais e alegou ser "quase impossível determinar se as mortes por calor estão diretamente ligadas às altas temperaturas", especialmente nos casos envolvendo pessoas idosas e enfermos graves.

  O jornal italiano La Repubblica publicou reportagem segundo a qual o número de mortes ligadas ao calorjá chega a 2 mil. Outros periódicos locais divulgaram estimativas similares com base na contagem das mortes ocorridas em agosto nas grandes cidades italianas em comparação com o mesmo período do ano passado.








 

 
 
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