Distribuição de 80 mil toneladas do produto será realizada de acordo com produção de cada estado
A cota americana de açúcar vai continuar com os nordestinos. A decisão do Governo federal favorece cerca de 70 usinas de cana-de-açúcar do Nordeste, entre elas 28 do Estado, e coloca abaixo a pretensão dos empresários do Centro-Sul que estavam de olho nesse canal de exportação. A distribuição da cota de 80 mil toneladas de açúcar será realizada de acordo com a produção de cada estado. Quem produz mais, terá uma fatia mais elevada. Deixará de ter como base o volume de cana cortada no campo. A informação foi repassada ontem pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, durante encontro com representantes do setor sucroalcooleiro pernambucano.
"O certo é que a cota seja distribuída entre quem precisa e produz. Isso é indiscutível", disse Rodrigues. Ele adiantou que a decisão do Governo já foi comunicada aos empresários do Centro-Sul. Segundo o ministro, a mudança da base da cana cortada para o volume de açúcar produzido será feita paulatinamente durante os próximos quatro anos. O valor da cota a ser exportada esse ano é estimado em US$ 50 milhões.
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), Renato Cunha, já que a cota é destinada às regiões menos favorecidas economicamente, sua permanência com o Nordeste é uma questão de Justiça. Cunha queixou-se apenas do espaço perdido pelo Estado. Ele lembrou que na década de 60, quando foi iniciada essa comercialização, Pernambuco participava com 80% do volume. Hoje, tem apenas 43%. Alagoas fica com 47% e os demais estados nordestinos com os 10% restantes.
Interessados na cota, os usineiros paulistas chegaram a ingressar com um agravo de instrumento e conseguiram uma liminar que permitia a participação deles no volume exportado aos Estados Unidos. Mas, com base na lei 9.362/96, que regula o abastecimento do mercado interno de produtos do setor sucroalcooleiro, a União entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que concedeu parecer favorável ao Nordeste. O STJ julgou que a execução da liminar iria desorganizar o sistema de exportação e agravar ainda mais as desigualdades regionais no País.
O ministro Roberto Rodrigues se mostrou impressionado com a tecnologia de ponta encontrada na fábrica de equipamentos agrícolas Implanor, do Grupo Cruangi/Maravilhas, e com as instalações da termelétrica da Usina Petribú. A empresa está desenvolvendo um projeto de uma máquina cortadora de cana-de-açúcar apropriada para áreas de topografia irregular, comuns no Nordeste, mas presentes também no Centro-Sul.