Rumo ao PMDB
Brasília - Torna-se cada vez mais provável o ingresso do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Anthony Garotinho, no PMDB. O destino político de Garotinho e do grupo dele, que inclui a governadora Rosinha Garotinho (PSB) e uma dezena de deputados, só será anunciado nesta segunda-feira, depois de um encontro do casal com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. Mas, depois de uma série de conversas e encontros esta semana, líderes e dirigentes do PMDB apostam na resposta positiva de Anthony Garotinho.
O arremate das negociações foi feito esta semana, em café da manhã da cúpula peemedebista na casa do líder na Câmara, Eunício Oliveira (CE), que contou com a presença do presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP). A nova filiação de Anthony Garotinho, recentemente desligado do PSB, preocupa, e muito, o Palácio do Planalto. O Governo teme que ele fortaleça a ala rebelde do PMDB, que se recusa a apoiar a administração petista. A questão é que, até para os governistas do partido,o reforço de Anthony Garotinho vem em boa hora porque dá mais cacife ao partido nas negociações com o Governo.
Insatisfeita com o tratamento dispensado ao PMDB pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que até hoje não se dispôs a dar ministérios nem a estabelecer uma parceria com a legenda nas eleições municipais, a cúpula peemedebista aposta no ingresso do secretário Anthony Garotinho para apressar as definições do Planalto.
O drama do Governo federal neste caso é a falta de uma alternativa partidária que seja conveniente ao Palácio do Planalto.
"É claro que ter o ex-governador no PMDB amplia a área de instabilidade do partido, que hoje está contida, mas sua entrada no PDT pode ser ainda mais desastrosa para o governo", diz um importante interlocutor de Lula. Tudo o que o Planalto não quer é ter uma legenda forte de oposição ao presidente, à esquerda do PT. O PDT de Brizola é visto como partido de oposição. Isto sem falar que também há o temor de Garotinho criar dificuldades aos aliados do PSB. Nacontabilidade dos socialistas, Garotinho elegeu oito dos 29 deputados do partido, mas não conseguirá levar todos seus antigos correligironários para o PMDB.
Na condição de futuro líder do grupo de Garotinho na Câmara, Oliveira apressou-se em avisar ao ex-governador que comanda uma bancada de apoio ao governo e que ele seria bem-vindo dentro dessa linha. Garotinho listou as queixas do governo Lula, mas deixou claro seu interesse numa reaproximação do Planalto. "Não tenho dificuldade alguma de me filiar a um partido da base até porque estava na base e não queria sair. Não votei em Lula para fazer oposição ao Governo," resumiu.