Pernambuco não será o primeiro estado nordestino a correr atrás do biodisel. Uma planta-piloto está sendo construída na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte. O investimento de R$ 5 milhões proporcionará a produção de 5,6 mil litros de biodisel por dia. Na indústria, prevista para entrar em funcionamento em janeiro de 2005, a matéria-prima usada será a mamona, planta comum na região. Para produzir os 5,6 milhões de litros será necessário ter diariamente 10 toneladas de mamona. Essa planta-piloto será o primeiro passo para o Governo federal retomar o consumo de combustíveis renováveis.
Embora não figure na lista dos maiores consumidores de biodisel e esteja até atrasado em relação aos demais, o Brasil é o pai da idéia. O uso desse combustível foi descoberto em 1980 pelo professor Expedito Parente, da Universidade Federal do Ceará. As primeiras tentativas para introduzir o consumo do combustível foi iniciado nesta época, com o Programa de Óleos Vegetais, lançado pelo Governo federal. Mas não vingou. O Governo atual está com um novo programa, batizado de Combustível Verde-Biodisel.
Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, o programa tem a participação de 11 ministérios e da Casa Civil. Um grupo interministerial foi criado por decreto no dia 2 de julho passado. Esse grupo terá a missão de apresentar um relatório técnico sobre a viabilidade dos projetos. "Nossa intenção é diversificar os tipos de combustíveis, reduzindo assim a importação de diesel e da gasolina", explica a secretária de Petróleo, Gás e Combustíveis Renováveis do MME, Maria das Graças Silva Foster.
O pontapé inicial do Governo é justamente a planta-piloto em Mossoró. São os resultados positivos do testes na unidade que vão garantir a manutenção do programa. Se der certo, o MME partirá para o financiamento de outras unidades pelo País. Maria das Graças ressalta que alguns países europeus chegaram a aumentar os tributos do petróleo para tornar o combustível verde mais competitivo.