Numa prova de que a decisão de colocar Gravatá como local de encerramento do Circuito do Frio deu certo - a mudança foi implementada este ano para evitar a proximidade do evento com o São João - a cidade, uma das mais badaladas do interior de Pernambuco durante as estações frias, recebeu, na última sexta, um público recorde para assistir aos shows da noite mais pop do fim de semana. Quatro atrações dividiram os dois palcos do parque, por onde circularam, segundo cálculos da Polícia Militar, nos três dias de festival, pelo menos 150 mil pessoas. Nem mesmo o aclamado frio de Gravatá deu o ar de sua graça na sexta-feira. A trégua na temperatura garantiu movimentação até quase o amanhecer.
No palco, a noite começou com Charles Theony, ex-Maracatu Nação Pernambuco, trazendo suas experimentações de ritmos tradicionais em novas roupagens. Um fato chamava a atenção: durante a apresentação de Charles, o público presente já superava visivelmente o número de pessoas registradas no auge da festa da quinta-feira,quando o forrozeiro Fl vio José transformou a praça num grande salão de arrasta-pé.
Na seqüência, a Uptown Band, bem conhecida nos palcos recifenses, presenteou os espectadores com blues e arriscou alguns clássicos do rock, num momento revival muito bem recebido. Mas a noite - é impossível negar - era mesmo do Jota Quest. Um dos grupos de pop-rock mais tocados em rádios e festinhas adolescentes provou que a sua mistura mineira , com direito a samplers e influência disco, é fórmula certa para embalar multidões. Os garotos do Quest fizeram um show cuja linha-mestra era dada pelos seus hits-chiclete.
Pelo menos a prova de que eles não são uma banda-de-uma-música-só ficou clara na apresentação, já que o público, incansável, acompanhava com o vocalista Rogério Flausino todas as letras. Os mineirinhos nem tiveram muito trabalho para fazer adolescentes, crianças e até vovós pularem do início ao fim do show ao som de sucessos como Só Hoje e Fácil. Depois da apresentação, Flausino confessou: "Estou extasiadoe, por mim, continuava cantando". Em seguida, Clã Malakoff subiu ao palco com a sua mistura de rock com ritmos regionais, numa influência assumidamente mangue, mostrando ao público ainda numeroso sua livre interpretação para ritmos tradicionais.