Verso e reverso
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O segundo trimestre já estava previsto como o do fundo do poço. Não apenas porque os juros subiram e aumentou o arrocho fiscal, mas porque a inflação reduziu a renda do consumidor. A queda da inflação interrompe esta perda e injeta alguma melhora no ritmo de vendas
Todo dia tem notícia boa na área da inflação, todo dia tem um dado ruim sobre nível de atividade. A economia entrou neste terceiro trimestre com a inflação domada e a economia gelada. São os dois lados da mesma moeda: a crise de confiança do ano passado que exigiu medidas fortes. O Banco Central eficiente para enfrentar a inflação está atrasado no combate ao efeito colateral.
A boa notícia ontem em relação à inflação é que a média do mercado já aposta em uma inflação de um dígito este ano, fato que já havíamos antecipado aqui na coluna. O Focus, boletim que mede a média das previsões de cem instituições financeiras pesquisadas semanalmente, apontou ontem uma previsão de inflação para 2003 de 9,93% e de 6,5% para o ano que vem. Há quatro semanas, as previsões estavam em 10,81% e 6,98%. Isso no IPCA, que é o índice que, calculam, dará a taxa mais alta este ano, porque nos IGPs e na Fipe as projeções apontam, em média, taxas abaixo de 9%.
Na próxima semana, reúne-se novamente o Comitê de Política Monetária para decidir o que fazer com as taxas de juros; e as previsões de mercado estão em torno de 1,5 ponto percentual ou até dois pontos percentuais de queda. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, continua cantando em prosa e verso as virtudes do gradualismo. É virtude dependendo do momento. A fórmula de acertar de um banco central não é rígida. Tudo depende da conjuntura. Quando fica evidente que o objetivo foi alcançado - em termos de debelar o surto inflacionário - e o Banco Central prolonga o uso do remédio aprofundando a queda do nível de atividade, esse conservadorismo é um erro. Ele afeta, por efeito circular, a estabilidade da economia ao reduzir a arrecadação afetando o déficit público.
O segundo trimestre já estava previsto como o do fundo do poço. Não apenas porque os juros subiram e aumentou o arrocho fiscal, mas porque a inflação reduziu a renda do consumidor, diminuindo sua capacidade de compra. A queda da inflação interrompe esta perda de renda e está injetando alguma melhora no ritmode vendas. Mas, para garantir uma melhora importante no segundo semestre, é preciso agir mais rapidamente agora para retirar os torniquetes que estão atuando sobre a economia. As previsões do PIB do Boletim Focus estão sendo revistas semanalmente também. E sempre para baixo. Há quatro semanas, a previsão era de 1,7% de crescimento; agora, é de 1,5%.
Nos diversos institutos e entidades empresariais, os dados coletados mostram queda forte, no segundo trimestre, de produção industrial, capacidade instalada, emprego, renda, confiança do consumidor. De vez em quando, há um dado indicando que pode estar se iniciando um período de melhora, como o nível de salários da indústria divulgado na semana passada pela CNI. A economia precisa e merece receber mais oxigênio.
Mesmo no meio da queda da demanda, o setor atacadista e de distribuição está registrando um aumento de vendas. O aumento nominal foi de 28% neste primeiro semestre, e o real foi de 10,8%.
Os atacadistas, segundo a Associação Brasileira de Atacadistase Distribuidores (Abad), fornecem para 350 mil pontos de vendas de até quatro caixas registradoras. É o chamado pequeno varejo. O crescimento talvez seja explicado pela preferência do consumidor por compras menores, nestes tempos bicudos, e pela maior procura das grandes indústrias por esse canal de distribuição. As grandes redes de supermercados estão com vendas praticamente estagnadas.
Um dos maiores empresários do setor, Alair Martins, que comemora um crescimento maior do que o mercado - de 41% nominal - admite, no entanto, que "de uns 80 dias para cá esfriou bastante o ritmo das encomendas".
O DEPUTADO Virgilio Guimarães acha que só na segunda-feira poderá ser feita a reunião da comissão especial da Reforma Tributária. A previsão inicial era que fosse nesta quinta-feira.
AINDA há dois destaques da oposição que poderão piorar a reforma da previdência. Um é do PFL e propõe o fim do redutor para as pensões. O outro é do PSDB e reduz de dez para cinco anos a exigência de permanência no cargo para receber a aposentadoria integral. O governo deve ficar de olho. E a oposição deveria pensar duas vezes antes de tentar atrapalhar o que não conseguiu fazer quando era governo.
A ELETROBRAS vai unir duas distribuidoras no Amazonas: a federalizada Ceam e a Manaus Energia, subsidiária da Eletronorte. Ela montou, recentemente, um grupo de trabalho para coordenar a fusão, que deve acontecer até o fim do ano.
O GRUPO Bradesco de Seguros faturou R$ 6 bilhões no primeiro semestre de 2003. Isso equivale a 25,41% do mercado de seguros, previdência e capitalização.