Confiança na construtora e prazo de pagamento devem ser considerados
Karla Veloso
DA EQUIPE DO DIARIO
As vantagens de se ter a casa própria são inegáveis. Já quanto ao melhor momento de comprá-la há dúvidas. O consumidor tem as opções de assinar o contrato do imóvel ainda na planta ou já construído. Confiança na construtora, prazo de pagamento, correção das parcelas e preço final do apartamento são itens que devem ser levados em conta pelos interessados antes de acertar o negócio. Hoje, 50% das vendas no Grande Recife são de unidades recém lançadas ou ainda na fundação. Nessas fases, elas estão com preço 15% inferior ao do final da construção. Por outro lado, os que partirem para a aquisição do imóvel pronto não terão que esperar até 40 meses pelo término da obra.
A melhor forma de comprar é aquela que atende às necessidades do cidadão. Esse é a visão do presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE), José Antônio Lucas Simon. Segundo ele, para os quem podem se programar, aguardar na casa dos pais ou arcar com o aluguel enquanto o imóvel está sendo construído, a melhor opção é na planta.
Nesta fase, diz Simon, o comprador vai se deparar com prazo de pagamento prolongado (em média 70 meses), índice de correção mais adequado ao bolso (INCC, que durante o ano passado foi de 14%) mais juros mensais de 1%. "É uma ótima opção para quem não tem pressa", observa. Sem falar que os imóveis na planta dão ao comprador a chance de efetuar as mudanças enquanto a obra está sendo erguida.
Os que estão precisando do apartamento com urgência devem concentrar seus esforços - leia-se bolso - na compra do imóvel já construído. Nos apartamentos prontos as construtoras costumam cobrar pelos menos 70% do valor já no sinal (entrada). As intercaladas têm valor mais alto, fica difícil fazer modificações na planta e escolher o apartamento que se adeque ao gosto do comprador.
O prazo para pagamento cai para no máximo 24 meses e o índice de correção aplicado passa a ser o IGP-M, que em 2002 chegou a 32% ao ano, mais os juros de 1% ao mês. "O interessado tem que levar em conta que a unidade comercializada aindana planta, além de ser mais em conta não tem juros elevados", destaca o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PE), Antônio Carrilho.
MERCADO - Vantagens e desvantagens à parte, as construtoras têm registrado um bom desempenho na comercialização das unidades ainda na planta. A Moura Dubeux tem vendido 80% das unidades com o imóvel em construção. O Flat Beira Mar, por exemplo, teve 100% dos apartamentos negociados apenas 15 dias após ser lançado. O supervisor de Engenharia da empresa, Eduardo Moura, diz que o preço menor do imóvel na planta e as vendas realizadas praticamente à vista nos já finalizados, têm desenhado esse perfil. "A chance de fazer reformas antes da obra ser concluída também colabora", acredita.
Para o empresário Armênio Ferreira, da Construtora M.Bacelar, além de todas as condições já citadas há dois responsáveis pelo quadro atual: a confiança do comprador no mercado imobiliário e o esmagamento da renda dos trabalhadores. "Casos como o da Encol não acontecem mais. Mesmo com a crise, as pessoas sabem que esse risco está descartado", avalia Ferreira. Ele lembra que para ter essa segurança os compradores têm que negociar com empresas idôneas no mercado. Ou seja, se certificar junto às associações e sindicatos do setor se ela está registrada.