RIO - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva chefiou uma delegação de autoridades em viagem ao Rio para o velório de Roberto Marinho. Lula, que enfrentou a oposição explícita de Marinho em três das quatro eleições presidenciais que disputou, minimizou as divergências políticas com o empresário e o qualificou como "grande homem" e "homem de vanguarda" no campo das comunicações.
O presidente foi ao velório acompanhado dos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de cinco ministros. Ao chegar à casa de Roberto Marinho, no Cosme Velho, Lula cumprimentou a viúva, Lily Marinho, e permaneceu ao lado do caixão enquanto d. Eugenio Sales, arcebispo emérito do Rio, rezava a missa de corpo presente.
"Eu acho que a gente não mede as pessoas por divergências políticas. A gente mede pela importância que as pessoas tiveram naquilo que se propuseram a fazer, e o dr. Roberto Marinho foi inegavelmente um dos maiores homens de comunicação da história deste país",disse. Afirmou ainda que não tinha dúvida nenhuma de que os filhos de Marinho saberiam "tocar as Organizações Globo com grande competência".
O presidente chamou de "grandes momentos" os dois encontros pessoais que teve com Roberto Marinho. Um deles foi em Paris, quando discutiram as eleições de 1989, e o outro no Rio, quando conversaram sobre o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Os dois encontros foram marcados pela "sinceridade", disse Lula.
"Eu acho que os dois momentos foram importantes porque conhecendo melhor as pessoas é que a gente pode analisar o que leva as pessoas a tomarem as grandes decisões. Por isso eu acho que o Brasil perde um grande homem", afirmou. O presidente Lula , que decretou na quarta-feira, três dias de luto oficial, permaneceu 22 minutos na casa de Marinho, onde foi realizado o velório.