OLHAR BRASIL
Riachão tem quase noventa anos e vitalidade de um guri de quinze. Canta com tamanha altivez que sua voz ofusca até a de Caetano Veloso, um dos convidados em Samba Riachão, documentário rodado por Jorge Alfredo em 2001 sobre o mais antigo sambista da Bahia e nunca exibido no circuito recifense. Esse é um dos quatro longas inéditos da Olhar Brasil e o trunfo maior da programação de hoje , que engata seu sexto dia no Cinema da Fundação.
Exibido em Brasília, onde dividiu a premiação de melhor filme com Lavoura Arcaica tendo sido escolhido pelo público, e no Cine Ceará do ano passado, Samba Riachão se afogou no redemoinho da distribuição e nunca emplacou comercialmente. Uma pena, pois o filme, além de resgatar Riachão e suas músicas (é dele, por exemplo, Cada Macaco no Seu Galho, aquela entoada por Gil e Caê no Tropicália 2), é mais um a revitalizar o gênero documental no país.
Samba Riachão é o único dos longas da mostra que não será reprisado - o que constitui um outro motivo de pena, pois se trata do filme mais difícil de encontrar e com menos ou nenhuma possibilidade comercial (Nelson Freire certamente será lançado aqui, e o mesmo pode ser dito de Separações; Cama de Gato, por sua vez, é polêmico e deve entrar em cartaz justamente por isso).
Antes do fôlego do sambista, o espectador se depara com mais uma seleção "apimentada" de curtas. A animação paulista A Lasanha Assassina fez o maior sucesso no Cine PE com sua proposta escrachada: uma lasanha é esquecida no congelador e se transforma num monstro. Seguem Boca a Boca (Allan Ribeiro, RJ), Rolê (Ana Rosa Marques, Camilo Cavalcante e Tatiana Baruel, BA/SP), Candeias: da Boca pra Fora (Celso Gonçalves, SP), Não Perca a Cabeça (André Luiz de Luiz, SP), O Metro Quadrado (Flávia Cândida, RJ), Roleiros (Gilherme Bacalhao, DF) e Onde Andará Petrúcio Felker?, animação de Allan Sieber.
Se não puder ficar o programa todo, veja Candeias, sobre o inventivo e marginal cineasta paulista Ozualdo Candeias, o filme-piada Não Perca a Cabeça, com sua solução para uma situação aparentemente sem saída, e o curta de Sieber, que satiriza o comportamento dos "modernos" diante de artistas plásticos. (LV).
Serviço
Mostra Olhar Brasil
Onde: No Cinema da Fundação
Quando: Hoje, a partir das 18h30
Quanto: R$ 4,00 e R$ 2,00 (estudante)