Edição de Quarta-Feira, 6 de Agosto de 2003
 
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Vida Urbana

Relatório denuncia falta de professores

ONG diz que problema atinge 25 escolas estaduais

A ONG Movimento Recife Cidadão denunciou ontem a falta de professores nas escolas da rede estadual na Capital, baseada em levantamento realizado pela entidade em 25 estabelecimentos de ensino do Recife durante o último mês de junho. O relatório, entregue ontem à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), mostrou que em todas elas faltam professores em pelo menos uma disciplina, com alguns casos chegando a ter seis matérias sem mestres titulares. Segundo a ONG, aproximadamente 37 mil alunos, reunidos nas 25 unidades, estão prejudicados.

  O Centro Luiz Delgado, no bairro da Boa Vista, um dos estabelecimentos visitados pelo MRC, representa bem o ponto a que chegou a falta de professores. Os alunos reclamam que passaram os seis primeiros meses deste ano sem professor de Matemática e Física, repostos apenas há cerca de um mês. "A maior parte da minha turma desistiu de prestar Vestibular porque sem professores não tivemos condições de nos prepararmos. Temos um professor, por exemplo, que dá aula em outros colégios esó pode vir aqui na quinta-feira, depois do almoço, quando a maioria dos alunos não pode ir", queixou-se Luciana Assis Lopes, 17 anos, aluna do terceiro ano da Luiz Delgado, que possui 2.175 estudantes.

  O déficit de profissionais nas escolas do Estado é estimado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) em aproximadamente 10 mil professores, mas a Seduc acredita que o valor real é menor. "Na verdade, apenas dez por cento têm problema efetivo de falta de professores. Há muitos que estão deslocados em funções administrativas e não foram substituídos. Em certos casos, um ajuste no horário bastaria para corrigir as disfunções", apontou Rodrigo Barros, chefe de gabinete do secretário, que recebeu a comissão do Movimento Recife Cidadão.

  Em resposta ao relatório, a secretaria anunciou que vem realizando um levantamento que pontuará a falta de professores na rede estadual. Iniciado no fim de julho, o estudo abordará as 1.100 unidades e apontará deficiências em outros itens, como a infra-estrutura. A partir daí, sairão os subsídios para a resposição de vagas, que deverá ser realizada através de concurso público até o fim do ano. A meta é finalizar o trabalho até novembro.

  A Seduc disse que, após a conclusão do estudo, viabilizará o concurso para a contratação de pelo menos dois mil professores. O plano, estabelecido dentro do acordo que pôs fim à greve da categoria há dois meses, é realizar a seleção ainda em 2003, para que no início do próximo ano letivo eles já tenham sido efetivados nos cargos. Os novos funcionários viriam repôr








 

 
 
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