Estudo realizado na União Européia chama a atenção para os riscos das tintas e piercings
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Prestar atenção na assepsia do local, na desinfecção e esterilização dos instrumentos e agulhas é importante na hora de se fazer uma tatuagem. Mas pouca gente se lembra de observar a origem e qualidade das tintas que irão colorir a pele para sempre. Um relatório da comissão especial da União Européia formada para investigar as substâncias químicas usadas nesses pigmentos informou que a maior parte dos produtos químicos usados na composição das tintas para colorir as tatuagens são originalmente utilizados em pinturas de automóveis e nas tintas de caneta, o que transforma os pigmentos das tattoos em verdadeiras bombas de alta toxicidade para o organismo.
No Brasil, alguns estados como São Paulo, Minas Gerais, e cidades como o Recife já dispõem de legislação própria que regulamenta tanto a prática da tatuagem como a aplicação do piercing. No decreto recifense, que ainda será publicado no Diário Oficial do Município, a única referência ao controle das tintas, porém, está no artigo 7º, parágrafo 5º, que estabelece que os pigmentos usados na pele devem ser atóxicos e ter sua fabricação especificada para o uso em tatuagens, com registro no órgão competente.
"Para conseguir a licença da Vigilância Sanitária, os tatuadores precisam, entre outras coisas, apresentar o certificado dos fabricantes das tintas e os recipientes dos produtos devem vir com rótulo identificando a sua composição", explicou a diretora do Departamento de Serviços de Interesse à Saúde e Medicamentos da Vigilância Sanitária do Recife, Isaura Macedo Morais. O órgão de registro ao qual a lei de refere é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, curiosamente, não dispõe de qualquer norma que regulamente a atuação dos tatuadores e aplicadores de piercings e muito menos que estabeleça alguma forma de controle de qualidade, importação e registro dos pigmentos que serão injetados na pele dos consumidores.
De acordo com o dermatologista Tancredo Albuquerque, que já chegou a tratar um caso de alergia por pigmento de tatuagem, o risco deter problemas na pele por causa das tintas ainda é pequeno se comparado a possibilidade de contrair Aids, por conta da má esterilização do instrumental usado para a realização da tatuagem. Ele explicou que o pigmento Cinabar (o vermelho derivado do sulfeto de mercúrio) é o mais alergênico de todos os usados para colorir os desenhos. "Se houver rejeição ao produto será necessária uma cirurgia para remover o retalho de pele onde está a tatuagem e fazer uma plástica no local", explica o especialista.
Para o tatuador Marcos Araújo (Marquinho Tattoo), o perigo com relação às tintas e à higienização existem quando o local onde se faz a tatuagem não é apropriado para o trabalho e o tatuador não é profissional. "Só uso tintas importadas e que conheço a procedência e a qualidade do resultado final". A Starbrite, a Micksharp e a National são algumas tintas usadas pelos tatuadores brasileiros. Todas são importadas e são feitas à base de água, álcool e substâncias vegetais pouco definidas. Já os piercings são de açocirúrgico com especificação 316-L.
Os tatuados, por sua vez, esquecem o perigo na hora de ganhar um novo desenho. "Confio mais na qualidade das tintas de hoje do que nas do passado", disse o vendedor Fernando Pinto, 38 anos, com nove tatuagens no corpo. A primeira delas, feita com nanquim, quando ele tinha 17, está sendo recoberta por Marquinho Tattoo com um novo desenho e pigmentos modernos que deixam as imagens mais coloridas e nítidas.
Serviço
Marquinho Tattoo: 3423-9076
Tancredo Albuquerque: 3231-4040
Vigilância Sanitária do Recife: 3413-1254